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Uma sessão de exercício melhora cognição em idosos com depressão

Ricardo Arida 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR

por Ricardo Arida

A literatura científica tem mostrado o efeito positivo do exercício físico nos diferentes aspectos da função cerebral.

O exercicio pode aumentar os niveis de fatores de crescimento (substâncias que regulam o desenvolvimento e a viabilidade neuronal, a formação dos *axônios e comunicação entre os neurônios) no sangue e no sistema nervoso central, induzir a formaçao de novos vasos sanguineos e novos neurônios. Assim como melhorar a aprendizagem e memória.

O exercício físico pode ainda atenuar o declínio **cognitivo associado ao envelhecimento. Embora muito já se sabe sobre os efeitos do exercício na função cognitiva, o efeito agudo do exercício (uma sessão de exercício) não está bem esclarecido. Estudos com indivíduos jovens têm mostrado que o tempo de reação (resposta ao estímulo) e memória melhoram após uma sessão de exercício aeróbio. No entanto, pouco se sabe sobre o efeito de uma sessão de exercicio em idosos com ou sem transtornos psiquiátricos.

Ainda, apesar de combinações de testes cognitivos serem estudados em indivíduos com transtornos neuropsiquiátricos, existem poucos dados que esclareçam essa questão em idosos com depressão.Nesse sentido, os estudos têm produzido resultados divergentes em relação a variáveis como idade e presença de alterações motoras ou neuropsiquiátricas.

Um trabalho recente publicado na revista Clinics***, realizado por um grupo de brasileiros avaliou o desempenho cognitivo em idosos com depressão durante e após uma sessão de exercício físico. Nesse estudo, dez indivíduos idosos com diagnóstico de depressão realizaram testes neuropsicológicos durante e após uma sessão de exercício físico moderado. Testes de memória e atenção foram utilizados para avaliar a função cognitiva. Os idosos caminharam numa esteira rolante durante 30 minutos e foram submetidos aos testes, antes, durante, imediatamente após e 15 minutos após a sessão de exercício. Interessantemente, foi encontrado uma melhora na atenção imediatamente e 15 minutos após a caminhada de 30 minutos.

Esses dados estão de acordo com estudos anteriores que demonstraram que o exercício agudo pode melhorar o humor e cognição dos indivíduos com depressão. A melhoria na cognição e humor após exercício em indivíduos saudáveis e com depressão tem sido atribuído à liberação de vários neurotransmitters no sistema nervoso central.

Pesquisas mais recentes têm mostrado que o exercício agudo também aumenta os níveis de fatores neurotróficos, como o BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do encéfalo - já comentado em textos anteriores). Têm sido demonstrado que níveis elevados de BDNF após o exercício estão relacionados com a neurogênese, plasticidade neuronal, aprendizagem e memória e estado de humor.

Em conclusão, esse estudo fortalece as evidências mostradas na literatura que a função cognitiva de idosos com depressão está aumentada frente ao exercício físico e reforça o impacto do exercício físico nos efeitos preventivos e terapêuticos em vários transtornos mentais, especialmente na depressão moderada.

* Axônio: parte de um neurônio

* Apesar da simplicidade da definição, a palavra "cognição" é bastante complexa. Cognição é o ato ou processo de conhecer, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, imaginação, pensamento e linguagem.

** Vasques PE, Moraes H, Silveira H, Deslandes AC, Laks J. Acute exercise improves cognition in the depressed elderly: the effect of dual-tasks. Clinics 2011;66(9):1553-7.




Ricardo Arida

Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com



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