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Confira a fase da Lua, vem aí o temperamental

Roberto Santos 01/01/2016 COMPORTAMENTO
O indivíduo nada temperamental é aquele inexpressivo

por Roberto A. Santos

Este é o quinto da série de onze artigos sobre os potenciais descarriladores de carreira. Neste, abordarei o Temperamental, tão temido nas empresas. Geralmente, ele vem no formato "chefe", mas em todos os níveis você pode encontrá-lo (a). Você sabe quando tem um perto de você quando tem que ler a previsão do tempo ou as fases da lua no jornal para saber se é um bom dia para lhe falar. Seu humor é 'de lua' e suas reações são imprevisíveis.

Quando o temperamental entra na sala pela manhã, já se especula no cafezinho qual será o prato do dia -- vai ser aquele mamão com açúcar ou jiló com pimenta malagueta, daquelas que provocam lágrimas só de olhar. Não é à toa que o termo temperamental tem a mesma origem de tempero.

Dizemos que uma comida sem tempero fica "sem graça" e quando se exagera em sua quantidade, ela fica intragável. Da mesma forma, precisamos 'acertar a mão' no tempero para dar mais vida e sabor às nossas relações com as outras pessoas.

O indivíduo nada 'temperamental' é aquele inexpressivo, sem energia ou entusiasmo, parece camuflado de arquivo, que nunca se sabe o que está pensando ou sentindo, totalmente insosso e sempre com cara de quem entrou no show errado.

O exagero que caracteriza o tipo que estamos tratando é quando a pessoa parece estar o tempo todo andando numa montanha russa que vai dos picos de otimismo e bom humor aos vales do pessimismo e explosões, sem motivos que poderiam ser considerados justificáveis. Com a mesma facilidade que ele se empolga com um projeto ou acha que agora tem o melhor chefe do mundo, ele se desencanta e descarta o empenho na tarefa, e os elogios ao incompetente do seu superior.

Como saber se a turma o considera o Rei (ou Rainha) do T.P.M., isto é, "Temperado Para Matar"? Você nota que as pessoas desmarcam várias vezes uma reunião com você? Sente uma invasão de dedos quando os outros têm que lhe contar que algo que esperava saiu errado? Seus colegas preferem não pedir sua opinião sobre coisas simples do cotidiano pois temem que seu pessimismo possa destruir uma a uma todas as idéias? Aqueles que se arriscam a interagir com você visam sempre a encontrar uma distância segura, como de outro estado?

Bem, se você sentiu um friozinho na barriga ao se enquadrar nessas situações, talvez tenha percebido como seu carrinho pode estar descarrilando da montanha russa. Muito freqüentemente, o tipo temperamental vem com um agravante -- de que é assim mesmo e nunca vai mudar. Os outros é que têm que se adaptar. Sem dúvida, vários espécimes temperamentais sobrevivem nas empresas, seja por uma expertise inigualável, pelos negócios que traz, e outras qualidades. Porém, nem todos podem se dar a este luxo de acomodação. Mesmo aqueles sobreviventes podem estar com seus dias contados sem sabê-lo. Então como evitá-lo?

Pedir ajuda ao vizinho

Vencida resistência de achar que não deve mudar sobrevém outro obstáculo: "Eu não consigo controlar minhas explosões!" - também dito em tom irado. De fato, autocontrole, esforço e perseverança são ingredientes que o Temperamental não costuma ter em sua despensa emocional. E daí, como fazer para terminar o prato? Pede-se um copo de calma, e um balde de gelo para ajudá-lo a acalmar os ânimos ao vizinho certo.

As vítimas, ou melhor, as pessoas que trabalham com você, certamente já perceberam os sinais exteriores de que seu temperamento está prestes a ecoar pela empresa com raios e trovoadas - aquele vermelho sangue na face, um olhar assassino, um tique nervoso, etc. Se você ainda encontrar um bom samaritano que se sinta seguro para lhe avisar quando sua bomba vai explodir, você poderá começar a, pelo menos, esticar o pavio.

Porém, na primeira oportunidade que "matar o mensageiro", terá perdido o recurso valiosíssimo do espelho social.

Contar de cem a um em chinês

Dar um passo para trás, para o lado ou para frente, mas principalmente refletir sobre a situação antes de acionar a granada, pode ser outro começo da solução. O que aconteceu ou não aconteceu conforme eu esperava, qual a real importância deste fato e o que posso fazer para influenciar as ações futuras para que o resultado seja alcançado?

Espumando de raiva, você deve estar pensando: "É mais fácil falar do que fazer!". Sem dúvida, para falar só precisamos pensar sobre o assunto, mas para fazer, precisamos querer e agir. Neste nível, infelizmente não há artigo, livro ou curso que resolva. A mudança deve partir de dentro de cada um e vai requerer muito trabalho e determinação, mas com a energia de sobra que você tem, nada é impossível. É só canalizá-la na direção certa!




Roberto Santos

Profissional de Recursos Humanos, com mais de 40 anos de atuação no mercado, Roberto teve diversas posições como profissional e executivo de RH em multinacionais de grande porte. É sócio-diretor da Ateliê RH, consultoria com mais de 14 anos de atuação no mercado, e distribuidor Hogan no Brasil. Mais informações: www.atelie-rh.com.br



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