DESTAQUES

Entenda o AVC: acidente vascular cerebral

Elisandra Vilella G. Sé 01/01/2016 SAÚDE E BEM-ESTAR
Doença se torna mais frequente a partir dos 55 anos

por Elisandra Vilella G. Sé

Acidente vascular cerebral ou popularmente conhecido como derrame cerebral é uma das mais graves doenças que atingem as pessoas adultas, sendo muito frequente, conhecido como AVC.

O AVC ocorre devido à interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o cérebro. Suas manifestações mais comuns são a paralisia de uma lado do corpo e a dificuldade na fala, mas podem também ocorrer desde manifestações visuais transitórias leves, até o estado de coma.

O AVC pode ser de dois tipos: isquêmico ou hemorrágico, isto é, devido à falta de sangue (isquemia) ou devido a uma hemorragia. A distinção entre os dois tipos de derrame é fundamental, pois o tratamento, na sua fase inicial, é completamente diferente em cada caso.

Segundo o Ministério da Saúde, o AVC é a segunda causa de morte no Brasil, perdendo apenas para as mortes por infarto cardíaco, cerca de 90 mil pessoas por ano, e de invalidez, o que resulta em 40% das aposentadorias precoces.

As principais causas de sequelas que podem interferir no desempenho funcional da pessoa, são fraqueza, paralisia, perda da coordenação motora, prejuízo da marcha, do equilíbrio, afasia, dificuldade para falar, compreender e até mesmo para enxergar. Consequentemente, existem as repercussões evidentes no âmbito profissional e financeiro, bem como nas relações afetivas e familiares. A educação preventiva e o reconhecimento dos sintomas ainda são as armas mais importantes para minimizar tanto a incidência como o impacto pessoal e social dessa doença.

O AVC isquêmico é o mais comum, compreende cerca de 80% dos casos e ocorre quando há um bloqueio na irrigação sanguínea em uma determinada artéria, comprometendo o fornecimento de oxigênio e nutrientes em uma determinada área do cérebro. Sem a quantidade suficiente de sangue, a área cerebral afetada deixa de funcionar. A causa pode ser um coágulo, também chamado de trombo, que se formou ou que inicialmente foi formado em uma outra artéria; por exemplo no pescoço, ou no coração e, em seguida, migrou para o cérebro.

Já o AVC hemorrágico decorre da ruptura não traumática de uma artéria cerebral, causando um sangramento dentro ou ao redor do cérebro. Em ambas as situações, o quadro clínico vai depender do tamanho da lesão e de que área do cérebro foi lesada. Os sintomas podem ser mínimos ou muito graves. Pode ser desde um leve sintoma localizado, leves problemas motores como um braço que parece estar “pesado” ou “formigando”, ou graves paralisias, situações extremas de perda da consciência que podem evoluir para o estado de coma ou a morte. Frequentemente, ocorrem problemas de fala, de compreensão, de orientação espacial, problemas de memória, de aprendizado e de comportamento.

Fatores de risco

Os fatores de risco são tipicamente contemporâneos. Hipertensão arterial, tabagismo, diabetes, altos níveis de colesterol, doenças cardiovasculares, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, drogas, estresse e sedentarismo são fatores de risco para a ocorrência de um AVC. Tais fatores são encontrados em brasileiros cada vez mais jovens. Mas ainda é o fenômeno do acelerado envelhecimento populacional que mais contribui para alavancar os números, já que a doença se torna mais frequente a partir dos 55 anos, faixa etária em crescimento no mundo.

O estilo de vida atual é que faz com que o indivíduo do século 21 tenha altíssima possibilidade de desenvolver um AVC. A prevenção e o controle desses fatores de risco são fundamentais para reduzir a incidência do AVC. Uma pessoa hipertensa tem um risco quase quatro vezes maior de apresentar um AVC se comparada a uma pessoa com pressão normal.

Além disso, pessoas com mais de 50 anos têm maior risco de desenvolver a doença, especialmente na presença de um ou mais dos fatores acima. Além dessas doenças aumentarem com o avanço da idade, o sistema cardiovascular do idoso é mais frágil. Tendo em vista que a expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando, se as medidas preventivas não forem priorizadas, é possível que haja um aumento significativo da incidência de AVC na nossa população nos próximos anos.

No momento que um AVC acontece, a adequada intervenção médica reduz significativamente a progressão da lesão cerebral, minimizando os danos e proporcionando aos pacientes maiores chances de sobrevivência e recuperação funcional das sequelas. Por isso, reconhecer um derrame em andamento é fundamental para o socorro. É muito importante que um leigo saiba reconhecer ou pelo menos suspeitar, em si mesmo, ou em alguém próximo, de sintomas que podem estar relacionados a um possível episódio de AVC, e assim solicitar socorro imediato.

Sintomas que sugerem risco de um acidente vascular cerebral

- Aparecimento súbito de adormecimento ou formigamento de uma parte da face, de um braço e ou uma perna, sempre do mesmo lado do corpo e com duração de minutos;

- Aparecimento súbito de fraqueza de membros de um mesmo lado do corpo e com duração de minutos;

- Ocorrência súbita e transitória de dificuldade para falar, com duração de poucos minutos, e também esquecimentos;

- Perda súbita da visão, sempre em um dos olhos, por alguns minutos;

- Crise de dor de cabeça inexplicável e inédita, com náuseas e vômitos;

- Sensação de tontura, com dificuldade na coordenação dos movimentos, podendo estar associada aos sintomas descritos acima;

- Acidente vascular cerebral transitório, ou um microinfarto cerebral que dura algumas horas e que com frequência precede a instalação de uma derrame cerebral definitivo. No acidente transitório geralmente há recuperação completa do quadro.

As manifestações acima podem ser consideradas sem importância pelo fato de em geral desaparecerem por completo, o que é um grave erro. Qualquer um desses sintomas indica a possibilidade iminente de um AVC e por isso está indicada a procura rápida de um médico que fará exames da circulação cerebral e do sistema cardiocirculatório. O exame neurológico completo com palpação e ausculta das carótidas é o primeiro passo. Exames de imagem das carótidas vertebrais e das artérias intracranianas é um exame que se impõe, pois avalia o estado das artérias que levam o sangue para o cérebro. A avaliação cardiocirculatória envolve um exame cardiológico, eletrocardiogramas de repouso, de esforço e dinâmico e ecocardiograma.

O AVC é sempre uma urgência. Perder tempo entre o início dos sintomas de um possível AVC e o tratamento hospitalar adequado pode custar a vida de milhares e preciosos neurônios.




Elisandra Vilella G. Sé

Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.



ENQUETE

Você revidaria uma traição?





VOTAR!
Vya Estelar - Qualidade de vida na web - Todos os direitos reservados ®1999 - 2018
O portal Vya Estelar não se responsabiliza pelas informações e opinião de seus colunistas emitidas em artigos assinados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação.