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A mulher não precisa ser mãe para se sentir completa

Karina Simões 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Maternidade não é obrigatória e inerente à natureza humana

por Karina Simões

Pesquisas inovadoras mostram que o instinto materno não é inato e pode ser construído, se assim for a opção da mulher.

Essas pesquisas trazem em seu bojo um desafio ou opção para a mulher atual: ser ou não ser mãe. Já que ser mãe há alguns anos, ou talvez décadas atrás, era simplesmente inquestionável e natural.

Digo desafio, pois a mulher que opta por não ser mãe ainda sofre pressões comportamentais e críticas extremadas: se não quer ter filhos é muito egoísta ou tem algum problema com sua feminilidade (lado maternal). Que absurdo parte da sociedade ainda pensar assim!

Mas... mesmo assim, e ainda bem, conseguem se sentir felizes com a tomada dessa espontânea decisão. Felicidade essa respaldada nas diversas transformações culturais dos últimos tempos: atualmente as mulheres são chefes de família e até presidentes da República e de empresas, e exercem cargos antes ocupados apenas por homens.

De onde vem a decisão de não ser mãe?

Essa decisão não está relacionada ao fato de não haver afinidade com crianças. Mas sim como uma opção de vida de cada casal ou de cada mulher.  A psicanalista Luci Mansur, autora do livro "Sem filhos: a mulher singular no plural" nos ensina que pensar que ter filhos, é o caminho natural da vida de qualquer pessoa, é fruto de uma mentalidade atrasada, segundo a qual, a maternidade faz parte da evolução da mulher e a torna completa.

Conseguir internalizar essa ideia de que a maternidade não é inerente e natural, e aceitá-la sem julgamentos e críticas, possibilita um grande avanço ao bem-estar da mulher.

A opção de não ter filhos para a mulher atual, não implica mais num conceito de felicidade plena e garantias futuras, mas sim trata-se de uma decisão saudável e natural devendo ser respeitada e não julgada.

Concordo com a socióloga Amy Pienta, que nos alerta que hoje há uma liberdade maior de escolha, e que é possível ser mulher de forma plena e prescindir da maternidade.

Dados

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de famílias chefiadas por mulheres cresceu mais do que quatro vezes nos últimos dez anos. Em relação aos casais sem filhos, o índice de autoridade feminina passou de 4,5% para 18,3%.




Karina Simões

Psicóloga clínica cognitivo-comportamental. Possui especialização em Psicologia da Saúde e Desenvolvimento pela UFRN. Especialização pela Faculdade de Medicina do IPHC da USP. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mais informações: www.karinasimoes.com.br



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