Aprender significa mudar de comportamento

por Marta Relvas

Em um momento no qual se diz existir muitas reformas na educação – porém poucas mudanças efetivas, os estudos da neurociência aplicada às práticas pedagógicas, sem dúvida alguma, agregam saberes, desmistificam olhares e promovem menos rótulos para o aluno dito ‘que não aprende’.

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E mais: para os estudos neurocientíficos, os atrasados não existem, já que aprender é uma questão de foco, organização e ritmo neural. Afinal, somos o que vivenciamos, experimentamos e lembramos.

A Neurociência estuda o sistema nervoso central em pleno desenvolvimento no aspecto neuroquímico, biológico, celular, anatômico, fisiológico, psicológico, emocional e social para que o educador e o professor possam compreender dificuldades, transtornos de aprendizagem e comportamentais que possam se apresentar em sala de aula. A Neurociência vem como um suporte para que os educadores possam promover uma aula melhor, pensando e aplicando recursos que estimulem os canais sensoriais dos estudantes. A contribuição da Neurociência nas práticas pedagógicas está diretamente relacionada aos estímulos cerebrais, promovidos através de jogos e dinâmicas que estimulem todos os sentidos do aluno, a fim de ocorrer um aumento da capacidade de raciocínio.

Garantir a aprendizagem dos alunos e despertar o interesse é o desejo de todo professor. Porém, capacitá-los, de fato, não é tarefa fácil, porque conhecer bem o conteúdo de sua disciplina e trabalhar com recursos tecnológicos pode não ser suficiente. É aí que entra a Neurociência: ela nos permite entender o funcionamento do cérebro e como ocorre a aprendizagem, ajudando na tarefa de desenvolver metodologias mais eficientes.

Dicas para entender melhor o processo:

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1ª) O cérebro armazena fatos separadamente, entre neurônios. Então, a aprendizagem ocorre quando esses fatos, associados através das sinapses (ligações elétricas e químicas entre neurônios), são propagados, então, nosso cérebro aprende por repetição.

2ª) O cérebro possui uma grande *plasticidade, sofre alterações constantes, quando ele é estimulado. É a partir desses estímulos que o indivíduo aprende. “Aprender significa mudar de comportamento, por isso a informação para ser processada precisa ter coerência para o aluno”.

3ª) Podemos entender a aprendizagem de duas maneiras quando processadas no cérebro: ambas precisam ser conjugadas. 

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Aprendizagem mecânica: aquela que passa pelos canais sensoriais, através dos estímulos. Ultrarrápida, armazena a informação para fazer, por exemplo, a prova, e logo é esquecida.

Aprendizagem emocional: está relacionada à afetividade, desperta desejo, interesse, foco e atenção. Cada professor precisa descobrir o “ponto” ideal para tocar nas emoções e afetividades de cada aluno, a fim de transformar informação em conhecimento e aprendizagem. Isso só é possível na medida em o cérebro encontra coerência e significado nas informações/conteúdos, pois aprender é um ato que perpassa pelo querer, portanto é subjetivo.

Não existe “forçar” o outro a aprender. O professor é o provocador e o mediador dos desejos do aprender. Ou seja, transforma o conteúdo numa linguagem mais coerente possível, através de suas metodologias didáticas, aplicadas ao cotidiano da vida do aluno.

A união entre a neurociência e a educação seria uma atitude afirmativa importante às práticas de ensino, na medida em que os profissionais dessa área precisam experimentar o entendimento do cérebro em sua plasticidade, desenvolvimento e constituição como ponto de partida ao esclarecimento das novas formas de cognição e comportamento em sala de aula.

*A plasticidade cerebral é a capacidade do sistema nervoso, alterar o funcionamento do sistema motor e perceptivo baseado em mudanças no ambiente, através da conexão e (re) conexão das sinapses nervosas, organizando e (re) organizando as informações dos estímulos motores e sensitivos, sendo controladas por grupos especiais de neurônios.

Referências
Relvas, Marta Pires. Neurociência e as Práticas Pedagógicas. Rio de Janeiro,  WAK Editora, 2012.
Relvas, Marta Pires. Que cérebro é esse que chegou à escola? Bases neurocientíficas da aprendizagem. WAK Editora, 2012.