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Entenda quando a mania de perseguição se torna doença

Eduardo Ferreira Santos 01/01/2016 PSICOLOGIA
Medicação adequada podem reduzir os sintomas

por Eduardo Ferreira Santos

"Fui diagnosticado com o transtorno de delírio persistente. Carrego comigo um pensamento de que alguém esteja querendo me matar há dez anos. Já me mudei de onde morava por cismar que os vizinhos estavam tramando contra mim. Privo-me de muitas coisas, de sair com minha família... por achar que alguém vai me pegar para me fazer mal. Vivo essa angústia 24 horas, tento levantar evidências contrárias, mas os pensamentos de perseguição e medo que me matem sempre estão presentes"

Resposta: TODOS os problemas da esfera psíquica têm origem em um complexo conjunto de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

Isso quer dizer que contribuem para qualquer transtorno, tanto os elementos biológicos (genéticos), quanto os psicológicos (historia de vida e seus traumas do cotidiano) e fatores sociais do dia a dia, como dificuldades financeiras, desenganos amorosos, traumas, solidão, desemprego etc.

No caso de um transtorno delirante persistente, como o que você relata, sem dúvida há fatores biológicos fortísssimos interferindo e apenas a utilização de medicação adequadamente indicada por um psiquiatra poderá ajudá-lo a, pelo menos, reduzí-los.

Certamente, também, sua história de vida deve ter contribuído bastante para a consolidação desse transtorno, pois uma pessoa com “mania de perseguição” tende a tratar os outros de forma pelo menos estranha, baseada nessa ideação delirante, o que leva os outros a evitá-lo e aumentar a sensação, real, de que não gostam de você, pior, perseguem-no!

E esse mesmo fator permanece na fase adulta, pois suas ações e reações perante as pessoas certamente parecem estranhas e elas tendem a se afastar, gerando um estado de solidão que, psicologicamente falando, cria o chamado “tu delirante”, isto é, para não ficar completamente isolado e se sentindo inútil, a pessoa “cria” em seu inconsciente esta imagem de que TODOS estão olhando para ela.

É uma forma dolorosa de compensar a solidão, mas os transtornos psíquicos, com seus chamados “mecanismos de defesa”, na maioria das vezes fazem com que a pessoa sofra mais com os sintomas do que com a sua causa propriamente dita.

Por fim, sugiro que você procure um psiquiatra psicoterapeuta para que ele possa medicá-lo e ajudá-lo a refazer essa crença disfuncional de que é perseguido, pois, é claro, tudo isso é produto de sua mente agravado por suas atitudes atuais.
 

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Eduardo Ferreira Santos

Psiquiatra e psicoterapeuta. Obteve Titulo de Mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e o de Doutor em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina na USP. Escreveu os seguintes livros sobre relacionamento amoroso: Casamento missão (quase) impossível; Ciúme: O medo da perda; Ciúme: O lado amargo do amor Mais informações: www.ferreira-santos.med.br



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