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Jogos Olímpicos e preparação psicológica: ainda há tempo

Renato Miranda 01/01/2016 SERVIÇOS
Os atletas não precisam de tratamento psicológico, precisam de treinamento

por Renato Miranda

É senso comum que a força psicológica de um atleta olímpico pode ser determinante para seu sucesso ou fracasso. Ou seja, se o atleta tem um bom nível de concentração, motivação controla o estresse e a ansiedade em ótimos níveis de harmonia, tem em mente um bom programa mental de ações e outras características de ordem psíquica, pode-se dizer que esse atleta está bem preparado.

Por outro lado, atletas que se preparam, mas não têm um bom nível psíquico referenciado nos termos acima a chance para o fracasso é enorme.

Isso por que com o advento e desenvolvimento do treinamento esportivo especializado, com o passar dos anos, resultou que treinamento físico técnico e tático são reconhecidamente elementos do treinamento a alcance de qualquer atleta dos países participantes dos Jogos Olímpicos, na pior das hipóteses, ao menos para a grande maioria dos países, tais elementos não são desconhecidos.

Não é por menos que disputas de esportes coletivos são decididas por placares apertados, esportes individuais são decididos por frações de segundo, centímetros ou por um detalhe mínimo que por vezes atendem a um critério de desempate.

Resta então aquilo que, para muitos especialistas, é o grande mistério para a compreensão do desempenho dos atletas: o elemento psicológico.

Em linhas gerais, o que foi dito no início do texto, resume bem o que se deve entender por preparação psicológica, no entanto, discorrer, preparar e treinar psicologicamente atletas reside o grande desafio.

Por várias vezes, disse que particularmente no Brasil, nossos atletas olímpicos e profissionais de outros esportes tendem a resistir ao treinamento psicológico. Basicamente por que quando se começou a se falar em treinamento psicológico no Brasil e em sequência a aplicação do mesmo de uma ou outra forma, as ações foram infrutíferas.

O resumo desse insucesso se deu pela falta de conhecimento daquilo que realmente venha a ser o treinamento psicológico e a falta de comunicação e entendimento entre atletas, reinadores dirigentes e os treinadores psicológicos. Em muitos casos poderia dizer, sendo o mais educado possível, que a competência cedeu lugar ao ego. Resultado: muita briga entre profissionais do esporte e pouco trabalho prático para ajudar os atletas.

Treinamento psicológico não difere em sua estratégia matricial, da preparação física, técnica e tática. Em síntese: Objetividade, ações práticas para a melhoria do desempenho, através do desenvolvimento de habilidades psicológicas, como por exemplo, a força psíquica para suportar as demandas do estresse, motivação, concentração e outros.

Os atletas não precisam de tratamento psicológico, precisam de treinamento. Treinamento este associado à especificidade da técnica e tática do esporte, às cargas físicas, ao relacionamento social para o desempenho esportivo, em destaque.

Não há mistério, mas é preciso planejar e agir desde já, pois 2016 está chegando e nossos atletas vão precisar de muito preparo para enfrentarem, em casa, todas as demandas de uma competição histórica e tradicional como os Jogos Olímpicos.

Compartilhe-se então, especialistas em psicologia do esporte, o conhecimento do treinamento psicológico com técnicos, preparadores físicos e outros membros das equipes, para que juntos atuem na preparação psíquica dos atletas e esses também aprendam a preparar suas mentes para vencer.




Renato Miranda

Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).



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