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Ser feliz dá trabalho

Lillian Graziano 01/01/2016 PSICOLOGIA

por Lilian Graziano

Ser feliz dá trabalho e essa afirmação se choca com o nosso imaginário de felicidade.  Isso porque pensamos em uma vida cuja condução é facilitada em todas as suas esferas, "mansa", quando imaginamos uma vida feliz.

O fato porém é que, para levar uma vida "mansa", na maioria das vezes, temos tanto a fazer e tantas mudanças a empreender que, quando nos damos conta disso,  a felicidade parece inalcançável.

Ninguém nos diz que não basta sermos práticos, termos em mente o que nos faz feliz (apesar de essa atitude e essa consciência constituírem cerca de 50% do trajeto rumo ao nosso bem-estar efetivo).  Também não nos dizem de todo o esforço necessário nesse trajeto.

Quando pensamos nesse caminho e em todo o esforço demandado para cumpri-lo, a tendência é imaginarmos uma longa distância a ser percorrida, com benefícios que nos aguardam no final. Mas há uma postura que pode mudar esse ponto de vista.

Ao pensar em sua linha do tempo, com suas metas e realizações para daqui cinco ou dez anos, não é preciso incluir a felicidade como mais um item. Ela pode estar em todos eles: ninguém nos diz que a felicidade pode ser um processo, estar na forma como nos direcionamos aos objetivos e não ser propriamente mais um item a cumprir.

Prega a Psicologia Positiva (PP) que o foco deve estar nas emoções positivas empregadas em cada passo, no estado de *flow alcançado em cada tarefa (veja aqui) - o que nos faz, em um balanço sobre nossa existência, enxergar mais momentos bons que ruins, promovendo a percepção de um maior nível de bem-estar e satisfação. Segundo esse mesmo movimento científico (a PP), isso é a definição de felicidade. Outra coisa que ninguém nos diz: não se costuma pensar, verbalizar, ou estudar, em geral, sobre a felicidade. Como podemos querer e buscar tanto algo cuja definição nos escapa?.

É preciso ainda dizer que, mesmo a felicidade sendo um processo, não se exclui todo o esforço e autoconhecimento necessários para alcançá-la. Afinal de contas, não fomos condicionados a cultivar emoções positivas.

Nesse sentido,  temos de trabalhar esse cultivo, começando, por exemplo, por mudar o foco negativo que temos ao transpor cada desafio: pensamos tanto no fracasso que não nos damos conta de que, se ele ocorrer, restarão, ainda, os aprendizados da experiência realizada e outros aspectos positivos dessa vivência.

Os aprendizados e aspectos positivos nos motivam - quando visualizados, estimulam o uso de nossos melhores recursos (nossas forças pessoais - veja aqui) na transposição de cada obstáculo ou etapa na vida. Transformamos experiências que tememos, assim em experiências positivas e até prazerosas, o que contribui para aquele balanço positivo que fazemos da vida.

Por fim, vale lembrar que, cientificamente, estudos provam que certos problemas não são condicionantes de nossa felicidade. Por exemplo, ser feliz é algo que independe de nossa condição física (aparência ou saúde) ou financeira. Portanto, mãos à obra, mesmo se estiver em uma fase difícil em qualquer um desses campos.

Aliás, mão à obra em qualquer circunstância: ser feliz, como você pôde ver, exige muito trabalho e conhecimento (e autoconhecimento). Agora, sem mistérios, comece a empreender os esforços necessários ao seu bem-estar e conte com a ajuda da Psicologia Positiva nessa jornada.

* Flow - é um estado de total concentração naquilo que se faz, não por que se está interessado nos resultados que essa atividade irá proporcionar, mas pela própria atividade em si.

 




Lillian Graziano

Diretora dos Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento, psicóloga e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) com pós-graduação em Psicoterapia Cognitiva Construtivista. Seu doutorado sobre Psicologia Positiva e Felicidade foi a primeira tese brasileira baseada nessa abordagem. Atua há mais de 20 anos na Educação com foco no desenvolvimento de condutas preventivas para os comportamentos humanos disfuncionais. Possui certificação em Virtudes e Forças Pessoais pelo VIA Institute on Character, EUA. Treinou e atendeu centenas de funcionários de grandes organizações tais como: Coca-cola, Basf, Bank Boston, Accenture, British Petroleum, Merrill Lynch, Unilever, dentre outras.



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