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Violência constante leva ao aumento de medos e fobias

Karina Simões 01/01/2016 COMPORTAMENTO

 por Karina Simões  

"Ansiedade elevada, vida apressada e falta de tempo levam à banalização de diagnósticos psíquicos"

A violência é constante na sociedade brasileira, a ponto de fazer parte de nosso cotidiano. Principalmente, quando nos deparamos com todos os meios de comunicação transmitindo o assunto da violência. Isso tem apresentado um custo para a sociedade, e já estamos pagando psiquicamente por isso.

Constato na prática clínica, o quanto os medos, fobias e transtornos relacionados à ansiedade e ao estresse têm crescido e provocando procura por tratamento.

O estresse pós-traumático, por exemplo, também chamado no meio científico por TEPT, tem sido frequente em meu consultório. Pois, em meio a essa realidade, percebemos jovens e adultos marcados de diversas formas que precisam passar por um processo de reestruturação cognitiva, diante dos traumas que vivenciaram em algum momento na vida. Esse processo integra uma técnica da psicoterapia cognitivo-comportamental, onde os pensamentos são reestruturados e reorganizados, fazendo com que se modifique a maneira de pensar e, consequentemente, de agir.

Costumo dizer que meu espaço clínico é meu laboratório de ideias e termômetro do que vem atormentando na sociedade. Nele consigo perceber quais temáticas afligem as pessoas e, em alguns indivíduos, chegam até a incapacitá-los. Os medos e fobias são temas que vêm me chamando atenção e ambos vêm aumentando.

Todos hoje vivem numa ansiedade imensa, regida por um “mundo dos acelerados” e dos “sem-tempo”. E com isso, banalizam alguns diagnósticos como a depressão, a ansiedade patológica, as fobias, a síndrome do pânico, o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e o estresse. As pessoas em geral só chegam ao consultório para buscar ajuda quando o quadro já está instalado há meses ou até anos. Ou seja, quando sentem um nível muito alto de angústia que gera incapacidades funcionais no seu dia a dia, como por exemplo, medo de sair de casa.

É importante que procurem ajuda de um profissional de psicologia e do comportamento humano para que, de forma preventiva, se possa fazer um trabalho de reequilíbrio psíquico ou até mesmo, como explico a muitos pacientes, aprender a se imunizar emocionalmente. Isso é fundamental para um bem-estar emocional em longo prazo, e assim teremos, num futuro, uma sociedade mais harmonizada, livre e feliz.

 




Karina Simões

Psicóloga clínica cognitivo-comportamental. Possui especialização em Psicologia da Saúde e Desenvolvimento pela UFRN. Especialização pela Faculdade de Medicina do IPHC da USP. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mais informações: www.karinasimoes.com.br



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