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Reflita sobre suas atitudes

Rosemeire Zago 01/01/2016 COMPORTAMENTO

Por Rosemeire Zago

"Preciso demais dos outros! Não tenho a menor confiança em mim mesmo. Estou sempre com a sensação que os outros são superiores, melhores, mais capazes. As críticas que recebo fazem com que eu me sinta cada vez pior. Acredito em tudo que me dizem, ainda que me façam sofrer. Não consigo acreditar quando alguém me elogia, penso que deve ser mentira ou uma brincadeira. As pessoas vivem me pedindo favores, pois sabem que nunca os recuso ou falo'não'.

Algumas vezes isso faz com que eu me sinta importante, mas também sobrecarregado e, às vezes, até injustiçado. Tenho a sensação que estou sempre sendo manipulado, fazendo mais do que consigo ou posso, mas a necessidade de agradar a todos é muito forte. É só acontecer alguma coisa em minha vida, que sinto a necessidade de desabafar. Assim conto tudo que me acontece tendo a esperança que percebam meu sofrimento e me digam o que fazer.

Na verdade, acho que nunca tomei uma decisão importante sem antes ter pedido a opinião de quase todas as pessoas que conheço. Está certo que fico muito confuso com tantas opiniões diferentes, mas quando conto algo desagradável que me aconteceu, vejo que todos ouvem com atenção, mas logo vão embora e nem me ligam depois para saber se estou melhor. A preocupação é só naquele momento, fazendo com que eu me sinta cada vez mais sem valor. Pergunto-me se sou tão importante quanto quero acreditar.

Quando paro para pensar, percebo que muitas decisões da minha vida foram tomadas por outras pessoas. Nunca tomo a iniciativa ou dou alguma opinião por medo de ser criticado ou rejeitado. Na época da escola, ainda criança, eu sentia pavor de não fazer parte da turminha, do time, não ser notado pela professora, ou na hora do recreio ficava num canto sozinho. E os apelidos que eu recebia? Sentia-me totalmente desajeitado e fora dos padrões de beleza. Estou sempre dando importância para a opinião sobre meu corpo, minha aparência e quando me fazem alguma critica, o que é muito comum, me sinto péssimo. E sinto-me cada vez mais incapaz de cuidar de mim.

Cresci e não me sinto muito diferente, sempre dando importância ao que pensam de mim; querendo aprovação e reconhecimento de todos. Isso sem falar da parte afetiva. Mesmo se a relação está me destruindo, me fazendo sofrer, chorar, não consigo romper. Se a relação acaba, me sinto abandonado, rejeitado, como se estivessem arrancando meu coração com as mãos, ou pior, sinto que perco um pouco de mim mesmo. É horrível!".

Você se identificou com alguma parte desse desabafo? Com tudo? Você percebe que está dependendo demais de alguém e faz de tudo para que essa pessoa fique ao seu lado, mesmo que isso inclua muitas vezes passar por cima de você mesmo, ainda que a custo de muito sofrimento e lágrimas? A necessidade de se sentir amado, aceito, muitas vezes faz com que mantenha relações destrutivas, que não correspondam aos seus valores, ideais e, muitos menos, com suas expectativas, o que só gera mais e mais frustrações.

O fato de sempre pedir conselhos, se expor contando tudo sobre sua vida, dá aos outros a impressão de que eles sim têm competência para resolver, enquanto você se sente totalmente desprovido de tal capacidade. É como se você os desse o direito de julgar e criticar quando quiserem. O fato de não acreditar na própria capacidade de pensar, resolver, faz com que as insatisfações aumentem e o sofrimento se intensifique, não sentindo ter forças para ser diferente.

O dependente da aprovação e reconhecimento do outro está convencido de que não existe outro lugar no mundo, senão o daquele que segue os outros, sempre se sacrificando para que percebam que ele existe. O fato de crescer sentindo-se inseguro, fortalece a crença de que é sempre preciso ser amado e protegido por alguém, mesmo que esse alguém te faça sofrer muito.

Há pessoas ainda que lidam de outra forma com a dependência, que é a busca total da independência, que no fundo demonstra alguém que também duvida de si mesmo, querendo a todo custo provar para si que é capaz de cuidar de sua própria vida, o que nem sempre consegue.

Mas a dependência se mostra mesmo é na relação afetiva, criando verdadeiros fantasmas ao menor sinal de que poderá ser abandonado, e que não conseguirá sobreviver sem o outro. Em qualquer caso, a dependência pode trazer muito sofrimento para todos os envolvidos, pois supervaloriza o outro, enquanto desvaloriza totalmente a si mesmo. A pessoa se distancia dela mesma tendo relacionamentos doentes, sem troca e sem amor.

Que tal analisar suas atitudes, comportamentos, seja escrevendo ou pensando sobre eles, buscar a origem e começar a acreditar mais em você mesmo? Lembre-se que o pior abandono não é quando o mundo ou alguém te abandona, mas quando você abandona a si mesmo! Pense nisso.

 




Rosemeire Zago

Psicóloga com abordagem junguiana com especialização em psicossomática. Desenvolve uma abordagem voltada para o autoconhecimento e criança interior.



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