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Depressão e câncer de mama: qual a relação?

É mito ou verdade que a depressão pode ser um gatilho para o aparecimento do câncer?

11 out, 2017

por Joel Rennó Jr.  

Depressão e câncer… Neste mês de Outubro, dedicado ao combate e prevenção do câncer de mama, é boa oportunidade falarmos sobre esta relação e desmitificar o assunto.

A depressão pode atingir até cerca de 25% das mulheres com diagnóstico de câncer de mama em média, 7% das mulheres têm depressão.

Antes de mais nada, é importante quebrarmos o tabu de que aspectos emocionais podem ser causadores do câncer.

A depressão e o câncer, o que acontece?

Na verdade, a depressão pode ser um “gatilho” para o surgimento do câncer.

Alguns anticorpos produzidos pelo organismo para combater as células cancerosas provêm de células que inicialmente foram fabricadas com algum defeito.

Tais anticorpos podem também atingir áreas e proteínas das membranas dos neurônios, levando a quadros neuropsiquiátricos como o da depressão.

Perante um estresse mantido, nosso sistema imunológico pode sofrer alterações funcionais e ele tem um papel importante para combater e destruir as células que se replicam de forma anômala.

É como se a vigilância contra os inimigos do organismo se afrouxasse.

O impacto da notícia do câncer de mama é devastador para muitas mulheres.

A mama tem um valor simbólico de feminilidade, sexualidade, amamentação e fertilidade. É o primeiro objeto com o qual o bebê se relaciona com a mãe.

O conhecimento de que o tratamento pode levar à retirada desse órgão ou uma sensação de mutilação é uma possibilidade.

No início pode gerar diferentes comportamentos, inclusive o de congelamento, confusão, desorganização e de impotência.

Quando a depressão é diagnosticada

Nesses casos, independente do tratamento estipulado como radioterapia, quimioterapia ou cirurgia, a medicação antidepressiva é fundamental por vários aspectos:

Melhora da qualidade de vida (energia, menos dores, postura otimista em relação ao resultado do tratamento, sono e alimentação adequados etc) e funcionalidade;

Melhora do prognóstico (com maior adesão ao tratamento, às medidas nutricionais e atividades físicas ou psicossociais necessárias a uma recuperação plena). É fundamental que um psiquiatra especializado em saúde mental da mulher seja procurado.

Como tratar a depressão e o câncer

Há antidepressivos que não podem ser utilizados em conjunto, por exemplo, com o tamoxifeno pelo risco de interação medicamentosa.

O tamoxifexo é usado no tratamento do câncer de mama por inibir a ação do estrógeno nos receptores da mama, um dos mecanismos responsáveis pela doença.

Esse mesmo medicamento que ajuda no tratamento do câncer de mama pode também causar a depressão.

Fundamental também é o profissional médico conhecer as interações medicamentosas entre os quimioterápicos e os antidepressivos.

Os quimioterápicos, apesar do cansaço, fadiga e inapetência que geram, não são causadores diretos da depressão nessas mulheres.

A mulher com câncer de mama passa por diversos estágios na elaboração do trauma ou luto e não deve ser prejulgada pela sociedade.

Seja qual for a reação da mulher, ela precisa ser ouvida e acolhida em seu sofrimento e sua fragilidade momentânea e não vitimizada.

Oferecer suporte e a ajuda especializada correta é sempre o melhor caminho.


Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br

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