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Afasia: a dificuldade em se comunicar

Saiba como esse problema na alteração da linguagem oral e escrita torna-se um problema de saúde para o idoso

Por Elisandra Villela Gasparetto Sé

A afasia é uma alteração de linguagem oral e/ou escrita decorrente de lesão cerebral devido geralmente a acidentes vasculares cerebrais e/ou lesões neurológicas por traumas ou tumores cerebrais.

O acidente vascular cerebral pode ter causas variadas, geralmente por hipertensão, diabetes, tabagismo e problemas cardiovasculares. A afasia compromete a produção e a compreensão da linguagem, e por derivar de lesões cerebrais, dependendo da extensão da lesão, pode ser mais grave ou não.

Na literatura clássica as afasias se dividem em dois tipos: Não fluentes (motores) e fluentes (sensoriais). As afasias não fluentes se caracterizam por problemas de expressão (como alterações fonéticas, estereotipias, disprosódicas, parafasias que são trocas de palavras, fala telegráfica, dificuldades na gramática e falta de iniciativa na conversação) e também se mostram alterações de linguagem escrita.

As afasias fluentes são caracterizadas por problemas de compreensão, os aspectos articulatórios e motores estão preservados e as alterações de linguagem se apresentam mais nos aspectos semânticos (significados das palavras) como dificuldades de nomear, evocar e ou selecionar palavras, a pessoa tem aquela sensação de que a palavra está na ponta da língua; a pessoa “perde o fio da meada” numa conversação e nas narrativas pode ficar “dando voltas” intermináveis no assunto. Também pode comprometer o uso de gestos e a linguagem escrita.

Uma pessoa que teve Acidente Vascular Cerebral (AVC) e tem como sequela a afasia, tem sua identidade, a afetividade e a vida social bastante afetada. A afasia tem um impacto importante na vida pessoal e familiar do paciente. Após o episódio do AVC e as sequelas, é importante que o paciente tenha um acompanhamento terapêutico fonoaudiológico, psicológico e às vezes fisioterapêuticos devido aos comprometimentos motores.

É muito importante proporcionar uma qualidade de vida ao paciente para que ele não desenvolva depressão. O paciente não pode se isolar, o acompanhamento terapêutico vai ajudá-lo a se adaptar na comunicação e nas interações sociais.

Na comunicação humana não existe o falante, o comunicador ideal; interagir com as outras pessoas no mundo é uma grande aventura. E se uma pessoa perde a capacidade de realizar com eficácia uma atividade rotineira: a interação social,  conversar, ler jornal, compreender o outro em um telefonema... Isso pode afetar a saúde mental e a vida prática do indivíduo.

Embora a incidência das lesões e sequelas neurológicas não seja pequena, a falta de informação a respeito das afasias ainda é grande. Muitos pacientes se deparam com a dificuldade de entendimento do diagnóstico, do prognóstico, do acompanhamento terapêutico e do enfrentamento prático diário da afasia.

Muitos afásicos sofrem preconceito linguístico, como por exemplo, sofrer isolamento e desinteresse por outras pessoas. As pessoas com afasia são estigmatizadas por que não dominam as normas de linguagem padrão, tanto na linguagem oral quanto na linguagem escrita. A afasia não pode ser encarada somente como um problema de linguagem, mas como um problema de saúde, uma questão social que merece ser estudada, discutida por equipes multidisciplinares.


Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.

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