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Comportamento

Amor

Amor patológico

Como sair de uma relação de codependência?

20 dez, 2018

Por Andrea Lorena

E-mail enviado por uma leitora:

“Não consigo sair de uma relação de codependência. Tenho três filhos com esta pessoa e vivo há 14 anos com ele, tentei me separar e passamos um ano separados. Ele usa de manipulação e chantagem emocional. Sou independente financeiramente, formada e superativa intelectualmente. No entanto, sinto-me presa a ele pelos filhos, e por tantos receios. Já tentei me separar e retornei. No retorno, ele tentou me humilhar de todas as maneiras com outras mulheres. Moramos nove meses na mesma casa sem nos relacionarmos, pois não aceitei o seu jogo e ele tentou se vingar. Agora estou articulando nova separação, mas fico com medo de que algo pior aconteça. Sofri abuso sexual na infância. Já fiz terapia Gestalt, tantra etc, mas não consigo ficar imune às atitudes desse sujeito, que me provoca muito por ciúme e acabo caindo sempre... Claro que agora bem menos, pois já entendi o mecanismo desta relação. Sugestões para eu sair desta?”

Resposta: A sugestão é bem simples:  procure uma psicoterapia.

Sei que você já tentou antes, mas é necessário insistir. As mudanças que a psicoterapia proporciona, muitas vezes, podem demorar a aparecer, mas com certeza duram por muitos e muitos anos.

Você precisa se fortalecer emocionalmente e se empoderar para poder tomar melhores decisões, agir de acordo com estas e seguir em frente na direção de uma vida amorosa mais satisfatória.

Você já ouviu falar de amor patológico?

É o comportamento de prestar cuidados e atenção ao parceiro, de maneira repetitiva e sem controle com prejuízo nas atividades profissionais e sociais. Sei que no seu breve relato você não mencionou cuidados excessivos destinados ao parceiro, mas começou dizendo “codependência”, e este termo é usado por leigos, geralmente, para designar a sua relação amorosa pautada no amor patológico.

Ainda, você mencionou que “não consegue ficar imune” ao comportamento do parceiro. E isso me fez lembrar este padrão de comportamento onde a maior vinculação com o companheiro é através do emocional, isto é, o parceiro exerce o que chamamos de “função emocional”, dividida em três itens:

- atenção/carinho (a maior necessidade da pessoa com amor patológico é de cuidados emocionais);

- rumo (a necessidade aqui é de que o outro mostre o caminho “aceite aquela promoção, vai ser bom para você”)  

- avaliação/julgamento (a necessidade  aprovação pelo companheiro).

Lembrando que num relacionamento saudável, todos nós questionamos e recebemos isto dos nossos parceiros, no entanto, no amor patológico, como o próprio nome diz, ocorre de forma patológica. Tais vínculos só serão clareados e trabalhados ao longo do processo psicoterapêutico.

Estudos mostram que mulheres e homens que sofrem de amor patológico tendem a ficar na relação apesar de todo o sofrimento e insatisfação. Costumam dizer: “Sei que não deveria ficar neste relacionamento, sou maltratada, mas não consigo sair”, outras vezes, trazem o seguinte relato “Meu parceiro é como uma droga para mim”.

Se esse não for seu caso, não tem problema, mas a sugestão é a mesma: fortaleça-se.    
 

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de um psicólogo e não se caracteriza como sendo um atendimento.


Andrea Lorena é psicóloga. Doutoranda pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Possui mestrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). É coordenadora dos setores de pesquisa e tratamento do Amor Patológico e Ciúme Excessivo do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. www.psicologiaecognicao.com

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