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Comportamento

Carreira

Por que precisamos de reconhecimento

“Um bom elogio pode me sustentar por dois meses!” Mark Twain

Por Eduardo Carmello

Você já se sentiu não apreciado ou não reconhecido por um trabalho que está fazendo? Como é a sensação? Quantos produtos você precisa ganhar para minimizar essa sensação?

O que fazer com uma equipe de vendas que já ganhou três televisores, duas viagens, quatro Ipod’s…

As empresas mais conscientes e atentas à construção de valor através de relacionamentos de qualidade estão comprovando na prática o que os psicólogos organizacionais insistiram em dizer e que poucos ouviram:

O que nos move, nos energiza, o que nos leva para frente é muito mais a percepção das necessidades atendidas do que “coisas ou produtos” que satisfazem estas necessidades.

Você só pode sanar a necessidade de reconhecimento – uma necessidade legítima e altamente importante que todos nós hoje precisamos – com reconhecimento e apreciação.

Conversando recentemente com uma equipe de vendas, os três primeiros colocados de uma campanha de incentivo me disseram.

- É claro que é legal ganhar mais uma viagem ou aparelho eletrônico, mas o que eu gostaria mesmo é que meu líder ouvisse mais minhas ideias sobre o futuro da nossa empresa.

Outro comentou:

- Aqui ganho muitas coisas, mas sinto-me mais como um coelho que corre atrás de cenouras do que como um homem que pensa e pode fazer algo mais nobre.

Eu creio que seria bom ouvir do meu chefe:

- Eu aprecio o seu esforço, o seu trabalho, eu aprecio quem você é!!!

Não com aquele tapinha nas costas e sorriso amarelo, mas de maneira séria, genuína.

Ações de reconhecimento, a partir dos trabalhadores.

Podemos considerar duas categorias de reconhecimento:

Formal:

Caracterizado por um prêmio – uma medalha, um certificado, uma placa – feito num evento, em data especial, comunicando a todos tal realização.

Informal:

Caracterizado por uma apreciação mais pessoal, sem data marcada, de maneira sincera, espontânea, quase que imediatamente após a manifestação de uma ação, atitude ou um trabalho bem feito.

Cada empresa pode desenhar o seu programa de reconhecimento.

É importante ressaltar que na gestão moderna baseada em conhecimento, a difícil arte de engajar e manter talentos preciosos na Organização pode ser melhor gerida se os programas de reconhecimento estiverem na lista de prioridades estratégicas. Deve-se criar programas balanceado, condizente com os valores da própria organização e com a forma e a qualidade de reconhecimentos que os próprios empregados gostariam de receber.

Precisamos saber se nossos colaboradores preferem reconhecimentos planejados ou espontâneos, se preferem que sejam para a equipe ou individualizado, se preferem que seja verbal, escrito, se no auditório da empresa ou num restaurante badalado.

Enfatizamos o posicionamento estratégico, pois os talentos da Organização precisam perceber que o programa é verdadeiro e genuíno, voltado para o reconhecimento de suas ideias e performance. E não mais um programa para “cumprir tabela”, como muitos que vemos por aí.

Um programa de reconhecimento deve ser suficientemente forte, a ponto de impactar positivamente na decisão dos talentos em ficar na empresa, em contribuir de maneira distinta nos objetivos e metas estratégicas.

O reconhecimento pode ser dado a uma tarefa, atitude ou competência valorizada, à qualidade do desempenho ou valor criado e até pelos atributos ou posturas destacados de uma pessoa.

Vale lembrar a citação de James Kouzes e Barry Posner, em seu livro “O Desafio da Liderança”(Editora Campus,2003):

“Você não pode comprar o empenho das pessoas – fazê-las se interessarem, ficarem até tarde ou chegarem cedo – apenas com cartões de agradecimento, adesivos ou placas. O que faz com que tudo isso aconteça de maneira eficaz é a preocupação genuína e o respeito que você demonstra por aqueles que estão fazendo o trabalho.”


Diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos, consultor e palestrante entre os 5 mais reconhecidos do país, segundo o Top of Mind de RH do jornal O Estado de S. Paulo. Autor dos livros Resiliência: a transformação como ferramenta para construir empresas de valor (2008, Editora Gente) e Supere: a arte de lidar com as adversidades (2004, Editora Gente).

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