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Saúde e Bem-estar

Atividade Física

Autoconfiança é pré-requisito para a mobilização máxima no desempenho de qualquer tarefa

Só pessoas com um bom nível de autoconfiança conseguem obter uma alta motivação

07 fev, 2019

Por Renato Miranda

No texto anterior (veja aqui), expliquei que o bom humor em excesso pode se transformar em euforia e falei das possíveis consequências desse comportamento.

Prossigo agora apontando outras diretrizes sobre o tema.   

Como estratégia para o desenvolvimento do bom humor no esporte algumas diretrizes são oportunas. Tais diretrizes são oriundas de minhas vivências esportivas, estudos acadêmicos, pesquisas e conversas produtivas com vários colegas especialistas. Nos estudos destaco: Feijó, Cox, Csikszentmihalyi, Alexseev, Goleman, linch, Al Huang e Colwin.
 
O atleta deve encarar a competição como uma festa a fim desta mesma se tornar mais atraente e menos agressiva aos próprios atletas. Costumo dizer que um atleta de futebol que está disputando uma Copa do mundo e se sente pressionado, é um atleta mal preparado.

Isso porque ao participar de uma Copa do mundo, possivelmente, o atleta está realizando um de seus maiores sonhos da vida, e ademais, é um evento em que as pessoas não cansam de dizer que é uma festa do futebol mundial.

Assim sendo, o atleta deveria estar feliz e otimista (bem-humorado) em ser protagonista desse evento. E, além disso, sempre é bom lembrar do filósofo Johan Huizinga autor do célebre livro Homus Ludens que trata fundamentalmente da interpretação sobre o instituto do jogo na cultura humana.

Entre tantas ideias, ele diz que a tensão é a própria magia do jogo. Ou seja, se não há tensão não a graça na competição. Mesmo porque, para ele, a essência do lúdico se resume na frase: “há alguma coisa em jogo!”.

Outra diretriz é estimular o atleta a acreditar em suas próprias forças, a fim de criar e manter a autoconfiança. A autoconfiança é pré-requisito para a mobilização máxima. Ou seja, reunir em melhor nível possível todo o potencial físico, mental e emocional do atleta ao intervir em suas tarefas.

Somente atletas com um bom nível de autoconfiança conseguem obter um bom nível de motivação para um melhor desempenho, pois o que auxilia a impulsionar o atleta são suas expectativas de sucesso em relação a ele mesmo.

Confiar em suas habilidades e ter uma autoimagem positiva não garante um melhor desempenho, mas favorece significativamente a manutenção do bom humor e seu nível ótimo de concentração, controle da ansiedade e motivação que em consequência poderão repercutir no desempenho.

Adquirir confiança é um processo no qual o atleta afasta sua energia do compromisso tenso da vitória, que significa ganhar a qualquer preço, e desenvolve um sentido de integridade, capacidade pessoal e preparo que é, na verdade, o que proporciona o sucesso.
 
Outra diretriz importante é a manutenção máxima da energia psicofísica em todo o processo competitivo a fim de o atleta usufruir melhor de todo seu potencial e com isso facilitar o bom humor, satisfação e prazer.

Satisfação, como matéria-prima do prazer e o mesmo prazer como produto final da atividade estão entre os objetivos principais a serem considerados por aqueles que se dedicam ao esporte. Isso porque quando o atleta gosta do que faz, e, portanto, tem satisfação ele treina melhor e com bom humor (alegria!).

Por outro lado nesse cenário, o atleta tem melhores condições de desenvolver sua persistência e sua motivação, habilidades psíquicas responsáveis para a aquisição de gestos técnicos em alto nível que repercutem em sucesso, por exemplo: uma defesa espetacular do goleiro no futebol, um arremesso primoroso no handebol, um levantamento magistral no vôlei e outros.


Professor da Faculdade de Educação Física da UFJF; Mestre e doutor em Psicologia do Esporte (UGF); Especialista em didática e psicologia do esporte na Alemanha (Escola Superior de Esporte Alemã - Colônia) e Rússia (Instituto de Cultura Física de Moscou); Consultor de atletas em psicofisiologia (concentração, estresse. motivação e flow-feeling).

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