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Comportamento

Amor

Poliamor: o que é preciso para esse modo de se relacionar dar certo?

Não é todo mundo que é capaz de estabelecer um relacionamento poliamoroso, assim como não é todo mundo que é capaz de estabelecer um relacionamento amoroso sequer

22 fev, 2019

Por Andrea Lorena

Acho que todo mundo já leu alguma vez o poema “Quadrilha” de Carlos Drummond de Andrade, para quem não, aí vai um trecho:

“João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém”.

Lembraram?

Com exceção de Lili, e se todos as personagens decidissem namorar entre si? Quando todos os envolvidos num relacionamento amoroso são livres para se relacionarem com outras pessoas, independente da quantidade de parceiros, temos o chamado “poliamor”, ou num termo mais científico “relacionamento não monogâmico consensual”.

Para esse tipo de relacionamento dar certo, é de crucial importância que haja muita honestidade e diálogo entre os envolvidos, acordos prévios e consistentes são bem-vindos, uma vez que se pode evitar muita confusão.

Estudo recente publicado no Archives of Sexual Behavior revelou que indivíduos num relacionamento não monogâmico, quando comparados com aqueles que vivem um relacionamento monogâmico, apresentaram índices elevados de sentimentos relacionados à interdependência, dedicação, senso de identidade pessoal relacionada aos parceiros e grande disposição para manter o relacionamento (comprometimento, satisfação). E ainda, todos estes componentes somados levaram a uma maior qualidade de vida. Não é bacana?

Diante de todo o preconceito destinado a esse tipo de amor, saber que ele proporciona maior qualidade de vida para as pessoas envolvidas é muito importante. Talvez o que mais importe não é a quantidade de parceiros, mas sim a qualidade do vínculo estabelecido com um – ou mais de um.

Não é todo mundo que é capaz de estabelecer um relacionamento poliamoroso, assim como não é todo mundo que é capaz de estabelecer um relacionamento amoroso sequer. O que parece estar em jogo são qualidades há tempos esquecidas neste mundo de relacionamentos e amores líquidos – saiba mais -, valores como honestidade, sinceridade e respeito. E estes, caro leitor, deveriam estar nas em qualquer tipo de relação.

Perguntaram-me se eu acho saudável este tipo de relacionamento? Eu respondo com outra questão: por que não seria saudável? Relacionamentos poliamorosos parecem ser nada mais do que um relacionamento amoroso baseado na igualdade, desejo e confiança.


Andrea Lorena é psicóloga. Doutoranda pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Possui mestrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). É coordenadora dos setores de pesquisa e tratamento do Amor Patológico e Ciúme Excessivo do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. www.psicologiaecognicao.com

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