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Autoconhecimento

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Emoções e as explosões vocais

Entenda a relação entre as emoções e os diversos tipos de sons emitidos pelas cordas vocais

08 mar, 2019

Por Edson Toledo

Um artigo publicado na revista American Psychologist tem chamado a atenção, pois cientistas e autores do artigo construíram um mapa onde se pode ouvir 24 tipos de emoções que foram identificadas nas vozes de pessoas dos Estados Unidos, Índia, Quénia e Singapura.

Os investigadores costumam chamar a estas reações sonoras algo como “exclamações não verbais”, darei exemplos: Oh! Ah! Uau! Hum… ah, ah! Grr! Ups! Ai! Hã?
Além das conhecidas interjeições, há ainda os sons impossíveis de imitar por escrito, como um profundo suspiro, por exemplo. O estudo sentencia que um suspiro não é apenas um suspiro. É impressionante como se diz tanta coisa e tão distintas apenas com sons não verbais.

Os autores do estudo, cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos EUA, exploraram esta universal forma de comunicar (ainda que com variações nas traduções nos vários países que participaram da pesquisa) e concluíram que estes sons representam 24 tipos de emoção, contrariando estudos anteriores que identificaram 13 tipos. Baseados nas novas descobertas, o artigo apresenta um divertido mapa interativo para ativar a memória e descobrirmos as diferenças entre os sons.

O estudo realizou uma análise estatística das respostas dos ouvintes a mais de duas mil exclamações não verbais e descobriram que elas transmitem pelo menos 24 tipos de emoções.

Alan Cowen, um dos investigadores, dá uma explicação mais completa: “Estudos pioneiros de Disa Sauter e Daniel Cordaro mostraram que em diferentes culturas as pessoas reconhecem expressões vocais de raiva, tristeza e de outros oito a dez estados emocionais. Nesse trabalho, descobriu-se que as pessoas reconhecem muitos desses sinais mesmo em culturas com contato ocidental mínimo, como o povo himba na Namíbia ou povos remotos nas regiões montanhosas do Butão. ”Faltava, no entanto, compreender como essas respostas emocionais foram organizadas. “São grupos distintos de sons? Por exemplo, será que estão organizados numa ou duas dimensões, comunicando níveis de prazer versus desprazer e excitação versus calma?”, contextualiza Alan Cowen.

Uma das principais conclusões deste estudo é que os sinais vocais de emoção não podem ser reduzidos a algumas dimensões amplas quando, na realidade, transmitem muito mais tipos de emoção do que os cientistas pensavam. “Ao mesmo tempo, muitas emoções diferentes podem ser misturadas em sinais vocais, adicionando outra camada de complexidade. Os sinais vocais são ferramentas comunicativas incrivelmente poderosas”, comenta o investigador.

Para Dacher Keltner, outro dos autores do artigo, “este estudo é a mais extensa demonstração do nosso rico repertório vocal emocional, envolvendo breves sinais de mais de duas dúzias de emoções tão intrigantes como o respeito, a adoração, o interesse, a simpatia e o constrangimento”.

Mais por que mapear sinais de emoções? Entre outras aplicações os autores dizem que o mapa pode ser usado para ajudar a ensinar assistentes digitais controlados por voz e outros dispositivos robóticos para melhor reconhecer as emoções humanas com base nos sons que fazemos.

Quanto ao uso clínico, o mapa poderia, teoricamente, orientar profissionais da área de saúde e pesquisadores que trabalham com pessoas com demência, autismo, e outras desordens de processamento emocional, para se concentrar em défices específicos relacionados à emoção.

Por fim, uso um dos comentários do artigo: “É uma maravilha anatómica como os humanos se comunicam com a voz: a contração dos músculos ao redor do diafragma produz explosões de partículas de ar, que são transformadas em som através de vibrações das pregas vocais, e saem da boca, dependendo da posição da mandíbula, da língua e outros instrumentos de controlo vocal, na forma de palavras, risos, entoação lúdica, choro, tons sarcásticos, suspiros, música, gritos triunfantes, rugidos ou sons maternais. De uma forma essencial, a voz torna humanos os humanos.”


Coordenador do serviço de atendimento a pacientes com tricotilomania no PRO-AMITI/IPq FMUSP. Supervisor clínico na UNIP. Psicólogo pela Universidade Metodista. Mestre em ciências pela Faculdade de Medicina da USP. Especialização em Terapia Cognitivo-comportamental pelo Ambulim/IPq FMUSP. Especialização em Psicologia Hospitalar pela UNISA
event 01 jan, 2016

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