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Vya Estelar Responde

Fala Leitor

Amor e agressões podem coexistir dentro de um relacionamento?

Irritabilidade pode ficar acentuada após o parto

15 mar, 2019

E-mail enviado por uma leitora:

"Boa tarde doutora. Meu casamento é de um ano e meio. E de um tempinho pra cá, temos muitas brigas. Em uma delas perdi a cabeça fui pra cima do meu marido. Eu o muito! Temos relações normal, mas toda a desavença começou quando engravidei e hoje nosso bebê está com um mês de vida, e mesmo assim, a briga não acabou!"
   
Por Anette Lewin

Resposta: Certamente agressões físicas não são esperadas dentro de qualquer relacionamento, muito menos num relacionamento amoroso.

No seu caso, você diz que as brigas começaram em função da sua gravidez e não terminaram mesmo depois do nascimento do bebê.

Como você não menciona o teor das brigas, vamos levantar  algumas hipóteses e refletir sobre elas.

Gravidez

É possível que sua gravidez tenha despertado algumas inseguranças em seu marido. Afinal, durante algum tempo ele teve  você só para ele. Com a notícia de sua gravidez, ele pode ter antecipado que de agora em diante teria que dividir sua atenção com o baby. E pode não ter gostado e começado a provocar você para que você desse mais atenção a ele e não à sua barriga. E você, claro, não gostou e o agrediu fisicamente. Bem, se foi isso, talvez valha a pena você tentar não enfatizar tanto a gravidez, dar atenção a ele como fazia antes, e conversar com ele sobre a importância do papel dele como pai. Se você tem ímpetos de agredi-lo é por que não está conseguindo argumentar. Tente desenvolver o diálogo entre vocês.

Pode ser que você engravidou sem planejar a gravidez. Afinal, vocês só têm um ano e meio de casados e já têm a responsabilidade de criar um filho. Bem, se isso aconteceu e o casal não tinha chegado a um acordo sobre quando ter filhos, agora o bebê está aí e vai ser criado por vocês. É claro que agressões físicas entre o casal, mesmo que circunstanciais, não fazem parte de um ambiente saudável para uma criança. Assim, tente evitar agressões pelo menos em respeito a uma criança que, afinal, mesmo que não presencie seus descontroles, é capaz de sentir a ansiedade da mãe e sofrer com isso.

Como lidar com as brigas  
    
De qualquer forma você diz que ama seu marido e se relaciona bem com ele. Assim, não vale a pena deixar brigas, provavelmente bobas, tirarem você do sério a ponto de chegar à agressão física. Quando começarem as brigas tente se afastar, interrompa, pense um pouco, e volte a conversar depois. Certamente, você se sentirá melhor e mais dona de si. É importante, inclusive, que você aprenda a se controlar para que, daqui a pouco, você não acabe agredindo seu filho quando ele ficar maiorzinho e irritá-la com as birras que toda criança faz.

Finalmente, devemos levar em conta que um mês depois do parto, certamente seus hormônios ainda não voltaram ao normal e sua irritabilidade pode estar mais acentuada por causa disso; e pelas noites mal dormidas; e pela enorme responsabilidade que é criar um filho. Assim, evite sentir-se tão culpada. Pode ser que daqui a algum tempo você se acostume melhor a essa situação e possa vivê-la de um jeito mais leve aproveitando os bons momentos que um casamento com filhos pode proporcionar.  

Atenção!
Este texto não substitui uma consulta ou acompanhamento de psicólogo e não se caracteriza como sendo um atendimento.


É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.


Vya Estelar Responde

Vya Estelar quer colocar você, querido leitor(a), ainda mais pertinho de nós. A psicóloga Anette Lewin responderá perguntas enviadas por você sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos:

1º formato: responder as perguntas enviadas por você;

2º) formato: extrair uma palavra em específico de uma pergunta que você enviou (ex: traição). E partir desta palavra, revelar o significado do que sentimos ao nos relacionar. Seu nome e e-mail serão preservados.

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