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Comportamento

Amor

Amor: por que as relações não duram?

A teoria dos três tipos de apego ajuda a explicar o problema; entenda

17 maio, 2019

Por Andrea Lorena   

Ouço na clínica muitas reclamações sobre as dificuldades em se achar um parceiro. Mas e o que acontece depois que achamos a pessoa “perfeita”? Ao que tudo indica, o relacionamento termina logo, durando muito pouco.

Parece que cada vez mais as pessoas estão com medo de se expor, com medo de serem abandonadas e, consequentemente, não conseguem permanecer no relacionamento amoroso.

Os três tipos de apego  

O psicólogo John Bowlby escreveu sobre os tipos de apego, os quais seriam uma forma de vinculação. Esta teoria versa sobre três tipos de apego: seguro, rejeitador e ansioso-ambivalente. Todos são desenvolvidos na infância a partir de experiências vivenciadas com os pais/cuidadores. Por exemplo, se os pais/cuidadores estavam disponíveis emocionalmente para a criança/bebê, ajudando e acolhendo nos momentos oportunos, a criança desenvolveria o apego seguro. Já quando os cuidadores não estavam emocionalmente disponíveis, aumentaria a chance de desenvolver o apego rejeitador. E para finalizar, quando os cuidadores ora estavam disponíveis, ora não, se desenvolveria o apego ansioso-ambivalente, assim, explicando em linhas gerais.

Estudos realizados utilizando-se esta teoria descobriram que tais apegos desenvolvidos na infância seriam preditores dos tipos de apego na adultez, sendo formados ainda, de acordo com as experiências da vida adulta – podendo ser alterados ao longo do tempo.

Quando adultos, aqueles com apego rejeitador, têm maior tendência a apresentar comportamentos de ciúme excessivo e agir como se fossem ser abandonados ou rejeitados a qualquer momento, isto é, preferem terminar o relacionamento antes que alguém os abandone.

Parece que estamos vivendo uma epidemia de apegos rejeitadores, num ciclo sem fim: um abandona para não ser abandonado, este, numa próxima oportunidade, faz o mesmo e assim sucessivamente. A dificuldade talvez se inicie no medo de se expor emocionalmente passando pelo medo de não ser aceito. Soma-se ainda, a facilidade de se encontrar um novo parceiro, então, para que perder tempo com quem supostamente é difícil ou que não demonstre estar tão interessado assim? Os tempos de conquista amorosa parecem ter se esvaído na velocidade dos nossos wi-fis.


Andrea Lorena é psicóloga. Doutoranda pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Possui mestrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). É coordenadora dos setores de pesquisa e tratamento do Amor Patológico e Ciúme Excessivo do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. www.psicologiaecognicao.com
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