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Comportamento

Amor

Delírios de amor: erotomania

Erotomania: transtorno psíquico de amar delirantemente, confundido com o amor platônico

14 jun, 2019

Por Andrea Lorena

Você já foi ouviu falar sobre a síndrome de Clérambaut? Também conhecida como síndrome do amor platônico ou Erotomania.

Erotomania é “descrita como uma convicção delirante, apresentada, geralmente, por uma mulher que acredita que um homem, mais velho e de posição social mais elevada, ama-a. O paciente persegue o objeto de amor e, por isso, eventualmente, envolve-se em retaliações e ameaças em resposta às repetidas rejeições” (Sampaio et al., 2007).  Um dos filmes mais emblemáticos sobre o tema é o protagonizado pela atriz francesa Audrey Tautou, intitulado “Bem-me-quer, mal quer”.

As causas desse transtorno psiquiátrico ainda não estão totalmente claras, há autores que referem ser ligadas a questões de sexualidade e outro com déficits cognitivos.

Sinais mal interpretados

Toda pessoa apaixonada já leu “sinais” enviados pela pessoa amada, como por exemplo, um aperto de mal mais demorado pode ter sido interpretado como sinal de interesse ou um abraço mais caloroso como sinal de paixão. No entanto, somos confrontados com a realidade, alguém nos alerta, percebemos outros “sinais” de que a pessoa não está tão a fim de nós, e seguimos (pelo menos teoricamente) em busca de um novo relacionamento.

Nestes casos de delírios de Erotomania, a pessoa persiste no pensamento de que é o amor da vida do outro, vira uma crença totalmente irrefutável, logo, um delírio. Aí sim, essa pessoa precisa de tratamento, tanto psicológico quanto psiquiátrico, para conseguir transpor esta questão e obter meios de enxergar a realidade.

É importante sabermos um pouco sobre este transtorno, uma vez que com o advento das redes sociais, cada vez mais pessoas ditas desconhecidas tem acesso aos “famosos”: atores, atrizes, escritores, músicos... Apesar de raro, pode ser confundido com o amor platônico, aquele no qual a pessoa nutre sentimentos amoroso por outrem, independente de ser famoso ou com status social maior do que o do apaixonado. Neste tipo de amor, a pessoa não perde o contato com a realidade, isto é, não apresenta delírios. Diante da negativa do objeto de amor, há tristeza e frustração, mas a pessoa é capaz de lidar com a rejeição. Nos casos do delírio de amor, pode inclusive, diante da rejeição, haver agressão ao amado e aos seus parceiros e amigos e próximos, pois estes podem ser vistos como empecilho para que o romance aconteça.

Fonte pesquisada:

SAMPAIO, Thais de Moraes; ANDRADE, Arthur Guerra de  and  BALTIERI, Danilo Antônio. Síndrome de Clérambault: desafio diagnóstico e terapêutico. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2007, vol.29, n.2 [cited  2019-06-09], pp.212-218. Available from: . ISSN 0101-8108.  http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082007000200013.


Andrea Lorena é psicóloga. Doutoranda pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Possui mestrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). É coordenadora dos setores de pesquisa e tratamento do Amor Patológico e Ciúme Excessivo do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. www.psicologiaecognicao.com

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