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Autoconhecimento

Minhas Atitudes

Como o deprimido vê o mundo à sua volta?

Deprimido observa o seu entorno com estranhamento e desconforto

03 set, 2019

Quando estamos em uma tristeza profunda ou depressão, estranhamos o mundo à nossa volta, que nos causa um sentimento interno ruim de uma inveja que não queremos sentir, do mundo que segue, se alimenta, faz amor, aprecia o seu lazer e satisfaz suas vontades. Não conseguimos apreciar isto, vivemos prisioneiros cumprindo penitência em uma cela sem barras, há um distanciamento, como se o mundo se dividisse em duas novas camadas, uma ativa, social, produtiva e feliz e a outra ociosa, letárgica, isolada e sem função. Essa segunda camada representa os sintomas clássicos da depressão.

Justamente nessas horas em que mais precisamos, podemos notar esse distanciamento, as pessoas tendem a ser mais frias, como se a depressão fosse uma doença transmissível como a lepra, e em certos pontos é, o constante pensamento negativo, afeta as pessoas em volta que não têm que, ou não querem ter que lidar com isso.

Quando deprimidos, nos forçamos a interagir com as pessoas queridas e tentamos não passar nossas mazelas internas e externas, mas infelizmente a depressão nos veste, é fácil notar o tom de voz mais baixo, mais lento e pausado, quase livre de entusiasmo. Lembramos com nostalgia das épocas de alta energia e comunicabilidade e sentimos como um tempo que não mais voltará.

É preciso afastar pensamentos negativos  

Com a cabeça cheia de pensamentos pessimistas e negativos, nos sentimos em situações em que a morte é a única saída; sonhamos com ela, macabramente a morte afaga nosso cérebro, atua próximo de uma válvula de escape para a angústia. A morte é tão promissora, porque o único momento em que nos sentimos bem é nos sonhos, dormindo, ao acordar o nosso desjejum vem acompanhado de angústia e autodepreciação.

A depressão pode acometer qualquer pessoa, de qualquer credo ou condição social, não existe a chancela de que ser rico é não sofrer, todos podem sofrer dela um dia, a causa pode ser reativa a alguma circunstância, biológica ou a combinação de ambos.

A cura, entretanto, é ocasionada por um processo interno. É necessário se ajustar e ajustar o ambiente às condições vividas no momento, fazer aquele esforço descomunal para ir à terapia, se medicar. Faço um adendo aqui, a medicação é de suma importância para ajustar a química cerebral, a fim de te dar um impulso para a vida e deve ser receitada apenas por um psiquiatra.

É necessário complementar o tratamento medicamentoso com uma terapia com um(a) psicólogo(a) ou psicanalista. Se você se identifica com os sintomas acima e tem dúvidas de qual profissional escolher, digo que o psiquiatra é insubstituível, mas o psicólogo irá avaliar as condições ambientais e tentar ajustar a sua realidade com as metas pretendidas. O psicanalista por outro lado, irá avaliará sua psique em relação a tudo que foi determinante na construção da sua personalidade e através disso extrairá sentimentos e padrões que são nocivos a você hoje.

Dar pequenos passos faz uma enorme diferença!

Ao final digo que o profissional não poderá fazer nada sozinho, a maior parte do trabalho para sair de um estado depressivo é da pessoa, talvez essa seja a maior crueldade com o enfermo, pois ele não está em condições de lutar com algo que apresenta uma grandeza enorme no momento, mas digo que lute, não digo para abraçar uma árvore, mas plantar uma muda. Digo para lutar com o que tem, se esforçar para fazer as coisas mais simples, tentar se reorganizar e planejar, pequenos passos fazem uma enorme diferença.


É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.

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