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Chás para a saúde: consumo exige orientação de profissional idôneo

É preciso cuidado ao tomar chás buscando benefícios para a saúde

por Alex Botsaris

Chá é uma bebida quente introduzida pelo chineses há alguns milhares de anos. Chá vem da palavra “tchá” em chinês, que tem o mesmo significado. Segundo a lenda chinesa o imperador Shen Nong estava no pátio do seu palácio bebendo uma taça de água quente quando uma folha veio, trazida pelo vento, e caiu em sua taça. Ele de curiosidade experimentou e surpreendeu-se com um sabor agradável. Mais ainda, a bebida deu conforto no estômago e disposição.

Animado com sua descoberta, mandou seus guardas encontrarem a árvore de onde tinha saído a folha, e em seguida plantou muitas mudas para que seus súditos também pudessem apreciar essa nova bebida. Estava descoberto o chá verde.

Chá verde

O chá verde vem da espécie “Tea sinensis”, arbusto originário da China. O hábito de beber chá se espalhou por outros países asiáticos, assim como o plantio dessa espécie. Os ingleses aprenderam a tomar chá quando conquistaram a Índia, e então levaram esse hábito para o ocidente. Ao longo dos anos a cultura e o hábito de tomar chá foram se sofisticando, e surgiram muitos tipos de chá. Além do chá verde, há o chá preto (que é fermentado), o chá oolong (esse semifermentado), e finalmente o chá branco, feito exclusivamente com brotos e folhas jovens. Existem ainda variantes conforme o tipo de solo, a altitude e as espécies companheiras que o chá é plantado, gerando mais de uma centena de diferentes sabores e odores para essa bebida.

Independente do tipo e origem do chá, todos chás são ricos em epigalocatequina e outras substâncias da classe dos polifenóis que são potentes antioxidantes. Essas substâncias são as responsáveis pelos benefícios dos chá verde e as suas outras variantes. Por isso o uso diário de chá verde previne várias doenças como câncer, pressão alta e aterosclerose, além de proteger a mucosa do estômago e do intestino. O chá verde contém um pouco de cafeína então é também uma bebida estimulante. Mas como a quantidade de cafeína é bem menor que o café e os polifenóis são protetores, o chá é melhor tolerado.

Chá de jasmim

Mas o chá não se limita a Thea sinensis, ele pode ser feito com outras espécies vegetais. Na China também é comum o chá de jasmim. As diversas culturas foram acrescentando novas plantas ao arsenal de chás, seja para prazer, seja para digestão ou outros benefícios. No Brasil existem muitas plantas usadas para chá todas com vários benefícios à saúde.

Camomila e erva doce

A Camomila (Matricaria recutia), por exemplo é rica, em azuleno, um óleo essencial com propriedades analgésica, calmante e antiinflamatória. Por isso ela é eficiente em tratar cólicas, desconforto digestivo ou como calmante suave. Com essas qualidades temos ainda o chá de erva doce (Foeniculum vulgaris) e de macela (Achyrocline satureoides). A erva doce ainda estimula a lactação e a secreção de saliva (para boca seca), e a macela é antialérgica.

Boldo, carqueja, hortelã e espinheira santa

Existe o grupo de chás que são ativos nos problemas do fígado, ou seja, para as pessoas que têm dificuldade de digerir gorduras ou aquelas que abusam de bebidas alcoólicas. Nesse grupo há o boldo chileno (Peumus boldus), a carqueja (Bacharis trimera) e a hortelã (Mentha piperita). Há ainda de chás com efeitos parecidos, usadas como digestivo, mas que protegem a mucosa do estômago, como a espinheira santa (Maytenus ilicifolia) e o boldo nacional (Coleus barbatus).

Capim limão, melissa e quebra-pedra

Outras ervas usadas para chá encontram sua maior indicação em gripes e resfriados como o capim limão (Cymbopogon citratus) e a melissa (Melissa officinalis). Em geral essas plantas possuem atividade antitérmica, analgésica, expectorante e moduladora da imunidade. Por fim, podemos citar as que exibem ação diurética, usadas para aliviar edema, como o hibisco (Hibiscus sabdarifa) e o quebra-pedra (Phyllanthus niruri).

Entretanto é preciso cuidados ao tomar chás buscando benefícios para a saúde. Nunca se deve utilizar chás com esse objetivo sem uma orientação de um profissional que conheça bem suas indicações. Da mesma maneira que as ações dos chás podem trazer benefícios, quando empregados em excesso, ou em situações equivocadas, podem ser prejudiciais à saúde.


Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.

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