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Autoconhecimento

Minhas Atitudes

Malditas comparações

Entenda o que te leva a se comparar com outra pessoa

por Regina Wielenska

O cérebro humano, se suficientemente íntegro, é feito pra poder pensar o tempo todo. Até dormindo podemos pensar sob a forma de sonhos. Conheço muitos pesquisadores que relataram estar despreocupadamente no banho quando, sem mais nem menos, lhes ocorre à mente a solução de um problema com o qual vinham se debatendo há algum tempo.

Este é o lado bom da coisa, mas esse funcionamento em tempo integral tem outra face: a preocupação excessiva, adiantar problemas que sequer existirão ou remoer um passado que não temos como modificar.

Também faz parte do problema o comportamento de fazer comparações inúteis. Comparo o progresso de meus filhos ao dos filhos da prima, da vizinha, da manicure, sei lá de quem mais. Fico pensando nas razões pelas quais meu marido ganha menos do que a de Fulana ou Sicrana. Sofro porque elas já viajaram de navio e eu ainda não. Sofro porque minha amiga entrou no vestibular de duas faculdades e eu não. Comparo meu cabelo ralo e fino às madeixas abundantes e sedosas da colega de trabalho. Reclamo comigo mesma porque essa mesma colega de trabalho se dá bem com o pessoal da firma e eu não consigo ser querida por eles.

Essas compulsivas comparações geralmente ocorrem quando sinto que a outra pessoa é superior a mim em algum aspecto que eu valorizo, como status, intelecto, dinheiro, aceitação social etc. Mas saber-se "inferior" não basta pra construção de um baita imbróglio emocional. Precisa também que eu sinta que a minha suposta inferioridade é injusta, que eu sou uma tremenda vítima do destino. Talvez eu até torça pelo fracasso alheio para que a diferença entre nós, a favor do outro, seja reduzida.

Quem funciona assim não tem por hábito de se comparar a si mesmo. Não consegue se incentivar a promover mudanças, tende a ser excessivamente autocrítico, faz julgamentos duros, tão ou mais do que quando julga os outros. Falta-lhe autocompaixão, aquela forma de amor e firmeza gentis que dirigem o indivíduo na direção do desenvolvimento. Tampouco tece reflexões sobre como se comportar ativamente, de forma a melhorar em aspectos que lhe pareçam deficitários.

No parágrafo acima reside também a solução: se for fazer comparações, faça tomando como base a si mesmo. Olhe para si compassivamente, bole um plano de ação para melhorar como indivíduo, seja realista e motive-se. Aja como se formiga fosse, devagar e sempre, seus passos podem ser diminutos, mas a persistência é grande.

Vamos então combater esse monstro das comparações injustas?


É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.

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