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Autoconhecimento

Minhas Atitudes

Escravidão, liberdade e estilo

O que resiste ao tempo é o eu, a essência de cada indivíduo

por Regina Wielenska

Alguns, ao lerem minha coluna desta quinzena poderão, de início, pensar que eu falarei de moda. Nada disso.

Cílios postiços voltaram à moda, vejam as produções, os editoriais. Mas há não muito tempo isso seria cafona, exagerado. Estampa de bicho já foi execrada, coisa de pessoas vulgares. Hoje o zoológico da moda liberou pítons, tigresas e outros padrões gráficos igualmente chamativos.

Houve tempo em que o bacana era bijouteria prateada. Ontem me disseram que dourados são o máximo agora. O manequim 42, infelizmente, cedeu sua vez ao 36 como padrão de elegância e magreza. Marilyn Monroe seria uma obesa na Hollywood de hoje.

Quem falava em cabelo desfiado, volumoso e estruturado antes da finada Amy Winehouse? Agora, há um acessório de plástico que facilita às antenadas de plantão fazer o tal volume no topo da cabeça, disponível nos melhores camelôs do ramo.

Pois é, tudo que hoje está na moda ontem era impensável, estranho, cafona ou ultrapassado.

Vocês conseguem prever o que vai ocorrer daqui a poucos meses?

Essas tendências de hoje terão novamente se tornado parte de um remotíssimo passado e forçadamente cederão sua vez a outro hit da saison.

Estou tentando derrubar o valor que se dá à moda?

Não, seria insensata tarefa eu me rebelar contra isso tudo. Mas preciso salientar outra coisa. Moda vai, moda vem. Moda muda ao sabor do que mal podemos acompanhar. In hoje e out amanhã. E in de novo depois de quinze anos, com materiais mais tecnológicos.

O que resiste ao tempo é o eu, a essência de cada indivíduo, aquele ser que consegue olhar com algum distanciamento a pessoa camaleônica, aquela que se transforma em termos de roupa, cabelo ou acessórios. O que de verdade atravessa os tempos é a jornada pessoal, os valores mais íntimos, as relações com a vida, as trocas com o mundo, o crescimento de cada indivíduo.

Então, quem curte moda que se divirta com ela, mas sem esquecer o ser rico e complexo que dela se vale, a identidade que percorre as estradas da vida, sejam o ouro ou a prata, a seda ou o cashmere as tendências da temporada.


É psicoterapeuta na abordagem analítico-comportamental na cidade de São Paulo. Graduada em Psicologia pela PUC-SP em 1981, é Mestre e Doutora em Psicologia Experimental pela IP-USP. Atua como terapeuta e supervisora clínica, é também professora-convidada em cursos de Especialização e Aprimoramento. Publicou dezenas de artigos científicos, e de divulgação científica, além de ser coautora de livros infanto-juvenis.

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