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O que avaliar na hora de gastar?

Antes de comprar, pense: eu preciso disso realmente?

por Eliana Bussinger

“DÚVIDA CRUEL! Levo a preta ou a marrom?” Foi a pergunta em voz alta que ouvi da jovem que estava a meu lado em uma loja de um grande shopping em São Paulo.

Depois de sofridos momentos de indecisão, ela acabou comprando a bolsa preta.

Fiquei imaginando, o que teria passado na cabeça da jovem para que ela decidisse pela preta.
 
Ao olhar a bolsa marrom abandonada no balcão, pensei imediatamente em custos de oportunidades, ou seja, o verdadeiro custos das coisas.

Esses custos representam a oportunidade que perdemos ou sacrificamos quando tomamos uma decisão.

Ao decidir pela bolsa preta, o custo visível de oportunidade foi a segunda escolha deixada de lado, ou seja, a bolsa marrom.

Diante das duas bolsas ela sacrificou a marrom para ficar com a preta.

Mas terá sido essa realmente a oportunidade deixada de lado quando ela escolheu comprar a bolsa? Foi a pergunta que me fiz, quando em um relance vi a jovem comprando a bolsa no crediário.

O que de fato ela estaria sacrificando ao adquirir a bolsa através de crédito? Estaria valendo a pena? Muitas de nós sequer percebemos que as nossas escolhas podem ter custos outros além do dinheiro que a gente gasta naquele momento.

Por exemplo, ao comprar o item pagando juros, o custo de oportunidade dela pode ter sido usar os juros a favor e não contra. Claro! As prestações da aquisição da bolsa poderiam estar sendo depositadas em uma simples conta de poupança ou um fundo de renda fixa - para citar apenas duas opções – e rendendo juros.
 
O custo de oportunidade é o reverso dos juros compostos - juros sobre juros. A mágica que funciona ao contrário. Um é a magia branca – a composição dos juros. O outro pode ser a negra, se a primeira escolha não for a mais acertada.
 
Pequenos ganhos ao longo do tempo representam enormes ganhos – a magia branca. Pequenas perdas ao longo do tempo representam enormes prejuízos – a magia negra, obscura, que nunca ou quase nunca enxergamos.

É o nosso dinheiro que se esvai pelo ralo. Custos de oportunidade estão por toda parte. O custo de oportunidade de certas decisões afeta o tempo com os filhos, o lazer, a saúde, a energia. São custos pessoais de oportunidade.

Se a garota do shopping precisar fazer horas extras, por exemplo, para corrigir dívidas ou excessos financeiros, ela poderá ter que abrir mão de assistir à festinha do filho na escola, talvez não possa sair de férias no tempo planejado, ou ainda, não conseguir estudar para terminar a faculdade.

Custos de decisões erradas também afetam aquisições de longo prazo: a casa, o diploma, a previdência, o curso de inglês, o seguro-saúde, a pós-graduação, os investimentos.

Alguns outros custos de oportunidades financeiras situam-se na possibilidade de ser promovida e ganhar mais, nas chances de receber aluguéis ou dividendos de ações.
 
Lembre-se:

1) Despesas reduzem a quantidade que você pode poupar e investir. E o contrário também é verdadeiro, ou seja, poupar e investir reduz a quantidade que você pode gastar agora. São custos opostos de oportunidade.

2) É importante treinar a habilidade de perceber os custos de oportunidade.

3) Sempre que você tiver que tomar uma decisão, principalmente de compra, pergunte-se:

- Eu preciso realmente?
- O que estou trocando?
- Qual é a segunda opção que eu tenho e que estarei sacrificando se ficar com a primeira?
- Se adquirir esse item agora, o que estarei comprometendo no futuro?


Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.

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