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Saúde e Bem-estar

Saúde e Drogas

Danos à pele causados pelo uso de crack e cocaína são reversíveis?

Dermatologista também deve ser consultado

01 jan, 2016

por Danilo Baltieri

"Os efeitos do uso do crack, como o envelhecimento, enrugamento e ressecamento da pele são reversíveis se a pessoa parar de usá-lo?"

Resposta: São várias as consequências dermatológicas nocivas associadas com o consumo de cocaína/crack. Além dos efeitos diretos da cocaína sobre a mucosa e a pele, devem-se ressaltar os efeitos indiretos, relacionados, por exemplo, à má nutrição comumente vista entre dependentes de cocaína.

Realmente, além dos efeitos euforizantes da cocaína/crack, essa substância propicia a constrição das veias e artérias do corpo, provoca danos nas paredes dos vasos sanguíneos e intensifica o fenômeno da coagulação.

Os fumantes de crack apresentam, frequentemente, lesões enegrecidas e puntiformes (que tem forma ou aparência de pontos) nas palmas das mãos e dedos, mais amiúde verificada na mão não-dominante. Tais lesões são atribuídas às queimaduras pelo cachimbo usado para conter a droga e elas são repetidas, visto que a intoxicação torna o usuário menos perceptível aos efeitos térmicos da queimadura.

As altas temperaturas atingidas pelos vapores emitidos durante o consumo podem produzir uma diminuição dos supercílios. Complicações dermatológicas mais raras, mas graves, podem ocorrer com o usuário de crack, como necrose epidérmica segmentar, associada com manchas azuladas distribuídas pelo corpo, desencadeadas pelo vasoespasmo prolongado.

A inalação da cocaína pode resultar em edema da mucosa nasal, com sintomas de rinorréia (coriza significativa), diminuição da capacidade para sentir odores e, cronicamente, em necrose e perfuração do septo nasal. O consumo crônico desta substância tem também sido associado a vários outros quadros dermatológicos, como vasculites, verrugas intranasais, púrpura palpável (pequenos pontos elevados vermelhos ou de cor púrpura, resultado do extravasamento de sangue dos capilares sanguíneos) e esclerodermia (espessamento da pele, resultado do acúmulo excessivo de proteínas – colágeno). É comum o encontro de escoriações generalizadas na pele devido à coceira induzida pela cocaína /crack. Alguns indivíduos, após o uso, têm a sensação de que existem bichos andando pelo seu corpo; isso, também, faz com que eles se cocem com grande intensidade.

O dependente de cocaína/crack, frequentemente, alimenta-se de maneira inadequada e insuficiente. O déficit constante e progressivo de vários nutrientes induz a inúmeras complicações em vários órgãos, como a pele.

Todas as consequências nocivas do consumo de cocaína/crack devem ser adequadamente tratadas, mas o dependente deve também estar inserido em um tratamento para a sua dependência química. A melhora do quadro dermatológico dependerá da abstinência completa das substâncias psicoativas utilizadas, bem como do adequado diagnóstico e tratamento das doenças dermatológicas induzidas.

Logo, você deve consultar um dermatologista, revelando seu padrão de consumo de cocaína/crack, afim de que seu médico possa avaliar qual é o seu problema dermatológico e definir o tratamento adequado. Um acompanhamento conjunto com um médico especialista de dependências químicas também será necessário, se você ainda mantém o uso desta substância.

Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento


Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.


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