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Saúde e Bem-estar

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Depressão de difícil tratamento

Cerca de 35% dos pacientes podem não responder aos antidepressivos

01 jan, 2016

por Joel Rennó Jr.

"Minha cunhada apresenta há três anos um quadro de depressão sem nenhuma melhora. Mudou de psiquiatra, psicoterapeuta e nada. Sua tendência suicida esta preocupando toda a família que não sabe mais o que fazer."

Resposta: Entendo muito a sua preocupação. Infelizmente, é impossível fazer uma avaliação da gravidade do quadro clínico dela, sem tê-la avaliado, sem conhecer sua história completa de vida, seus vínculos afetivos e a sua estrutura de personalidade. O histórico dela e os antecedentes familiares de doença depressiva são fatores que indicam uma possível gravidade maior para seu quadro de depressão, iniciado na adolescência.

Cerca de 35% dos pacientes com depressões graves podem não responder aos antidepressivos atualizados. São as depressões resistentes aos tratamentos. Há outras alternativas terapêuticas, não medicamentosas, para quadros mais graves como a ECT (eletroconvulsoterapia), a estimulação magnética transcraniana e o novo marcapasso para a depressão.

Talvez, a ida a um meio acadêmico, dentro de um ambulatório especializado como o GRUDA, Grupo de Distúrbios Afetivos do Instituto de Psiquiatria do HC - (11) 3069-6648 - seja importante para uma melhor avaliação. Outra opção é entrar em contato com a ABRATA, um excelente grupo de autoajuda para os pacientes deprimidos (www.abrata.org.br ). Quando a pessoa tem uma depressão grave, dificilmente, estímulos positivos modificam o seu comportamento. Neste aspecto, uma psicoterapia de base cognitivo-comportamental pode ser bastante valiosa também.

Menopausa e depressão
Tenho 46 anos, apresento irregularidades menstruais. Às vezes fico três meses sem menstruar e tenho tido insônia, mau-humor e irritabilidade há cerca de 6 meses. O que eu estou sentindo pode ter a ver com o a menopausa?

Resposta: As flutuações na produção de hormônios, principal característica da perimenopausa, têm tudo a ver com as alterações emocionais que as mulheres experimentam nessa fase, e que interferem na libido e pode trazer problemas cognitivos, de memória, etc. Não que os hormônios sejam responsáveis pelo quadro de ansiedade e depressão, diretamente. O que se supõe, com base nos estudos conhecidos, é que algumas mulheres têm sua "química" cerebral mais suscetível às oscilações da produção de estrogênios e progesterona, que são inevitáveis ao longo de sua vida reprodutiva e mais ainda na época da menopausa. É nessa hora que ginecologistas e psiquiatras devem trabalhar juntos para melhorar a qualidade de vida da mulher, com a ajuda de terapias hormonais e não-hormonais, dependendo do caso.


Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br

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