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Dançar pode ajudar na prevenção de demência, indica estudo

01 jan, 2016

por Ricardo Arida

Considerando o crescente número de pessoas com demência em idade avançada e uma eficácia limitada de tratamentos farmacológicos, a identificação de medidas preventivas eficazes é um grande desafio.

Os fatores de risco não modificáveis para a demência são a idade e a predisposição genética. A literatura científica sugere que o estilo de vida em períodos (anos) anteriores à manifestação da doença pode influenciar o risco da doença. Nesse sentido mudanças nos padrões alimentares e atividades física e mental regular podem reduzir o risco de doença da Alzheimer.

O propósito deste assunto foi enfatizar os dados de um estudo recente publicado numa revista de geriatria (International Journal of Geriatric Psychiatry) que avaliou as atitudes e motivações de pessoas com idades entre 50-65 anos em relação a “manter um cérebro ativo” (1).

Nessa pesquisa, as pessoas com maior motivação em manter o cérebro ativo por meio de diferentes atividades foram as mulheres. Pessoas que usavam novas técnicas para treinar o sistema nervoso central, assim como aqueles com maior nível sócioeconômico e que citaram a prevenção de demência ou perda de memória como uma motivação para essa mudança eram especificamente os mais jovens dessa pesquisa (entre 50-54 anos). A motivação de "manter o cérebro ativo 'também foi associado a pessoas que faziam palavras cruzadas, quebra-cabeças, etc.

Podemos considerar que a atividade física tem um papel importante nesse contexto. Recentemente, estudos mostraram que pessoas sem demência com maiores níveis de atividade física apresentavam níveis mais baixos de biomarcadores da doença da Alzheimer (2) e menor risco de mortalidade (3).

Estudos epidemiológicos sugerem que a atividade física regular pode prevenir o declínio cognitivo e demência na meia-idade. Um desses estudos mostrou que a dança, uma atividade aeróbica, foi associado com risco menor de desenvolver demência. Outro achado interessante foi mostrado por outro trabalho recente relatando que pessoas com condição cardiorrespiratória mais baixa nos estágios iniciais da doença de Alzheimer apresentam maior progressão da doença(2).

A adesão aos programas de exercício físico tem mostrado facilitar a eficácia e longevidade do desempenho cognitivo em idosos. Vários mecanismos e uma série de fatores moderadores confirmam a utilidade de atividade física realizada desde o início da vida (infância e adolescência) e mantido durante a vida adulta.

Isso é um alerta aos fatores de estilo de vida que influenciam o risco de doenças crônicas: um problema importante de saúde pública.

1- Bowes A, McCabe L, Wilson M, Craig D. 'Keeping your brain active': the activities of people aged 50-65?years. Int J Geriatr Psychiatry. 2011 May 2.

2- Liang KY, Mintun MA, Fagan AM, Goate AM, Bugg JM, Holtzman DM, Morris JC, Head D. Exercise and Alzheimer's disease biomarkers in cognitively normal older adults. Ann Neurol. 2010 Sep;68(3):311-8

3- Scarmeas N, Luchsinger JA, Brickman AM, Cosentino S, Schupf N, Xin-Tang M, Gu Y, Stern Y. Physical activity and Alzheimer disease course. Am J Geriatr Psychiatry. 2011 May;19(5):471-81

4- Vidoni ED, Honea RA, Billinger SA, Swerdlow RH, Burns JM. Cardiorespiratory fitness is associated with atrophy in Alzheimer's and aging over 2 years. Neurobiol Aging. 2011 Apr 30.


Possui graduação em Educação Física pela Universidade de São Paulo (1980), mestrado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1995), doutorado em Medicina (Neurologia) pela Universidade Federal de São Paulo (1999) e pós-doutorado pela Universidade de Oxford-UK. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Neurociências e Fisiologia do Exercício Mais informações: www.ricardoarida.wordpress.com

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