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Saúde e Bem-estar

Saúde e Drogas

Dependência química: é preciso realmente abandonar os amigos?

01 jan, 2016

por Danilo Baltieri

"Descobri há seis meses que meu filho usa maconha. Ele diz que não usa mais, está fazendo acompanhamento com uma psicóloga, mas anda com os amigos que usam. A psicóloga diz que tenho que dar um voto de confiança. Não confio e continuo cheirando todas suas roupas."

Resposta: Realmente, a quantidade de colegas/amigos usuários de maconha, bem como as atitudes positivas dos amigos diante do consumo dessa substância são importantes fatores de risco tanto para a experimentação da maconha quanto para a manutenção desse uso. Na verdade, a pressão do grupo é um dos mais importantes fatores associados com a experimentação de substâncias e manutenção do consumo.

Alguns estudos têm apontado que a influência dos pares (amigos) sobre o consumo entre adolescentes é muito superior do que a influência (contra o consumo) dos pais dos usuários. Nesse sentido, a sua preocupação é bastante pertinente.

Os tratamentos estruturados dedicados aos indivíduos com problemas relacionados ao consumo de substâncias psicoativas, como a maconha, preconizam, dentre várias recomendações, a mudança do estilo de vida, a modificação do grupo social, o reconhecimento do problema, a aderência às recomendações do profissional adequadamente especializado. Logo, o afastamento dos colegas que fazem uso da substância é freqüentemente orientado.

Nas situações onde problemas com o consumo de maconha são detectados e reconhecidos pelo próprio usuário, o tratamento deve ser instalado e a utilização da substância deve ser monitorizada de forma adequada por profissional especializado. Abaixo, reporto-me a um interessante artigo científico sobre o tema.

Chabrol H, Chauchard E, Mabila JD, Mantoulan R, Adele A, Rousseau A. Contributions of social influences and expectations of use to cannabis use in high-school students. Addict Behav 2006;31(11):2116-9.

Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento


Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.


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