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Saúde e Bem-estar

Saúde e Drogas

É possível livrar-se da dependência química tratando pelo SUS? Quando internar?

01 jan, 2016

por Danilo Baltieri

"Meu marido é dependente de crack, ficou oito anos sem fazer uso nenhum - com exceção do álcool. Voltou a fazer uso do crack há uns 3 meses. Ele faz tratamento pelo SUS, mas não está resolvendo. Uma clínica de internação seria uma opção?"

Resposta: A Síndrome de Dependência de cocaína/crack é uma doença complexa que requer tratamento contínuo e especializado. Na verdade, não basta apenas uma equipe preparada para ajudar; é importante a participação efetiva dos familiares e do próprio paciente durante o processo de recuperação.

Infelizmente, recaídas e lapsos são comuns durante o tratamento, No entanto, através do tratamento rigoroso, o paciente e os familiares vão “aprendendo” como evitar futuras falhas na aderência às recomendações da equipe.

A internação seja em clínicas especializadas ou em hospitais gerais requer indicação médica precisa. É uma das modalidades de tratamento e deve ser sempre realizado por profissionais especializados, respeitando as evidências científicas internacionais de efetividade.

Dependência química: Quando internar?

As principais indicações para internação de pacientes portadores de Síndrome de Dependência de substâncias psicoativas são:

a) Overdoses;

b) Graves síndromes de abstinência;

c) Presença de grave complicação clínica de outras doenças;

d) Incapacidade de manter-se abstinente em tratamento ambulatorial;

e) Grave exposição social;

f) Ideação suicida;

g) Hetero-agressividade

É comum em casos difíceis, quando o paciente não atinge resultados satisfatórios, que os familiares e o próprio paciente apontem a equipe médica como ineficaz. No entanto, o tratamento é uma via de mão dupla: os bons resultados dependem da adequada interação entre o profissional de saúde e os familiares / pacientes. Os dois lados têm o seu papel e a sua função. Imagine, por exemplo, que o médico prescreve um tratamento ao paciente, bem como aos seus familiares, e o paciente não segue corretamente as recomendações dos profissionais da saúde. Isso significará falha terapêutica.

Converse com a equipe que trata o seu familiar e apresente as suas dúvidas e preocupações. Isso será muito bem-vindo no processo do tratamento, beneficiando a todos.

Atenção! 

As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento


Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.


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