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Saúde e Bem-estar

Saúde e Drogas

Familiar não sabe agir ao descobrir consumo de drogas de ente querido

Consumo de álcool e drogas afeta de forma intensa a estrutura familiar

01 jan, 2016

por Danilo Baltieri

Resposta: Medo, tristeza, decepção, frustração, raiva, culpa são sentimentos bastante comuns vividos por familiares, quando descobrem que um dos seus demonstra problemas com o uso de substâncias.

Esses sentimentos também são comuns quando descobrem que seus entes queridos estão mostrando perturbações do comportamento não necessariamente relacionadas com o uso de substâncias, nunca antes abertamente reveladas.

Muitos estudos têm mostrado que o consumo de álcool e outras drogas por uma pessoa afeta de forma intensa a estrutura familiar.

De fato, o consumo inadequado de substâncias psicoativas está relacionado ao mau desempenho escolar e no trabalho, perturbações no funcionamento intra e extrafamiliar, estresse psicológico, comportamentos violentos, queda no poder aquisitivo da família, sintomas depressivos e ansiosos, dentre muitos outros.

Esses sentimentos podem variar, tanto em intensidade quanto em duração, dependendo de cada pessoa. De qualquer forma, essas sensações não devem imobilizar os familiares; ao contrário, devem acender o desejo de ajudar e de procurar ajuda urgentemente. O profissional que atenderá os familiares seguramente vai analisar a estrutura e o funcionamento familiar corrente e pretérito, o histórico até então revelado pelos familiares, as sensações predominantes, o impacto do consumo de substâncias sobre todos os membros familiares, devendo, então, elaborar e desenvolver propostas de ação.

O que fazer ao descobrir o consumo de drogas por parte de um ente querido?

1º) Planejamento: procure informações sérias sobre o problema; avalie se existe uma rede de pessoas confiáveis que possa ajudar você. Buscar por um profissional de saúde habilitado na área de dependências químicas é recomendável;

2º) Evite contribuir para o agravamento da situação: ser benevolente demais, desculpar demais, permitir demais, tudo isso pode ser muito nocivo para a evolução do problema. Todos nós, inclusive aqueles que têm problemas com o uso de substâncias, devemos encarar responsabilidades, arcar com as consequências de erros, pagar contas, trabalhar, estudar etc. Procure dar apoio à pessoa, mas não apoiar o uso das substâncias;

3º) Converse bastante: estabeleça um canal aberto com o ente problemático. Não é nada fácil falar sobre drogas com nossos entes queridos. Contudo, mantenha sua posição firme. Frequentemente, o ente descoberto nega quaisquer problemas com o consumo, responsabiliza terceiros pelo seu problema ou consumo de drogas, faz uma série de promessas dificilmente cumpridas etc;

4º) Cuide-se também: procure manter suas atividades de lazer e mesmo descobrir novas, conte com amigos para apoiar você, tente não pensar no problema o tempo todo, procure ajuda também.


Médico psiquiatra. Mestre e doutor em Medicina pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Atualmente é coordenador geral do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria da FMUSP (GREA-IPQ-HCFMUSP).Tem experiência em Psiquiatria Geral, com ênfase nas áreas de Dependências Químicas.


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