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Por que somos fiéis às marcas de produtos?

Não resista à mudança

por Eliana Bussinger

Calma, não estou sugerindo nenhum tipo de atividade extraconjugal. Sinceramente, eu nem apoio esse tipo de comportamento.

Estou me referindo a uma infidelidade necessária e muito específica: a infidelidade às marcas.

Olhe em volta da sua casa e responda: existe alguma roupa, tênis, algum sabonete, detergente, sabão em pó, molho de tomate, sapato, pasta de dente, etc. cuja marca você ou sua família esteja consumindo, repetidamente, nos últimos meses ou anos?

Eu compreendo ser esta uma questão delicada. Temos que lidar com hábitos, conveniência, crença nas marcas, confiança.

É tão fácil estender o braço na prateleira do supermercado e simplesmente pegar o produto preferido, cuja quantidade e preço já estamos tão acostumadas e ir para o caixa pagar. Já sabemos que o produto funciona, que é bom, que não vai nos surpreender. Também sabemos a quantidade, a metragem, o preço, a cor, o sabor. Isso nos economiza tempo e energia, essas mercadorias que são tão escassas nos dias de hoje.

Só que nesse caso de fidelidade você pode estar perdendo dinheiro, especialmente em épocas em que um dragãozinho resolveu sair da casca do ovo – a temida inflação que volta a nos rodear.

Um dos antigos exemplares do famoso relatório Focus do Banco Central, quando ainda estava sob responsabilidade e comando de seu criador, o economista Gustavo Bussinger, foi bastante ilustrativo dessa situação. Nesta pesquisa descobri que o brasileiro consumidor de produtos bancários era muito fiel aos seus provedores. Dizia esse relatório que mais de 90% das pessoas físicas no Brasil eram clientes de apenas um único banco. E mais, elas permaneciam nesse mesmo banco por anos a fio, adquirindo todos os produtos que necessitasse, ou achasse que necessitasse, ali mesmo.

Mas muita coisa mudou desde então. O mercado financeiro estará em breve comemorando os dez anos da criação do Gustavo (aliás, Bussinger como eu) e, desde então milhares de pessoas passaram a compreender que certas necessidades financeiras poderiam ser resolvidas em provedores diferentes, não necessariamente bancos. Mas muitas ainda continuam presas ao modelo anterior de comodidade e conveniência.

Hoje em dia não mais precisamos ir ao mesmíssimo supermercado, muito menos ser clientes de um único provedor financeiro. Mesmo porque, a Internet veio facilitar a vida de muita gente ao nos permitir fazer compras e pesquisas com um simples toque no teclado do computador.

Por isso, ainda que seja conveniente, e sem dúvida é, principalmente se a empresa, banco ou supermercado ficar perto da sua casa ou de seu trabalho, faça pesquisa de produtos e de preços para averiguar onde está sendo mais lucrativo (ou menos dispendioso) fazer suas compras, inclusive as financeiras.

Além disso, permanecendo fiel a uma marca ou a um estabelecimento de certa forma desestimulamos a competição, a inovação de produtos e serviços, fortalecendo os cartéis e promovendo a estagnação da economia.

O que quero dizer, enfim, é que é preciso continuar a pesquisar sempre. Isso sim nunca mudou!

Conheça as opções e os preços; reconheça o mérito daqueles que se esforçam por nos oferecer o novo, muitas vezes melhor e mais barato.

Não resista à mudança. Lembre-se que além de prazerosa pode ser muito lucrativa.

E continue fiel apenas à pessoa que você escolheu para amar e estar ao seu lado.

Aliás, esse é o caso em que vale a pena ser fiel já que sob o ponto de vista financeiro, a infidelidade amorosa pode ser bem pouco lucrativa.


Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.

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