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É mais fácil aprender na infância?

Marta Relvas 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Cérebro jovem tende a aprender mais facilmente

por Marta Relvas

"Ensinar é fundamentalmente aprender. Aprender é enfrentar o desafio da vinculação da emoção com a razão no processo de conhecer e, além disso, enfrentar o desafio de criar recursos, instrumentos, estratégias e táticas operacionais que mobilizem no educando sua emoção em paralelo com sua razão". (Relvas)

A construção do cérebro começa na fase inicial da gestação. Durante o primeiro mês, sinais químicos fazem com que um grupo de células no embrião em desenvolvimento comece a se transformar no sistema nervoso.

Três semanas depois da concepção, a placa neural, uma camada de células que percorre a extensão do feto, une as suas extremidades para formar o tubo neural, que mais tarde se transformará no cérebro e na medula espinhal.

Cérebro infantil: mais sinapses, mais conexões neuronais

O cérebro infantil tem uma quantidade excessiva de sinapses (passagem do impulso elétrico e químico entre os neurônios). Essa exuberância sináptica continua até o início da adolescência, quando então começa a ser reduzida.

O estágio final de maturação do sistema nervoso é marcado pelo processo de mielinização (formação da bainha de mielina). Este se inicia no útero (sexto mês), sua produção intensifica após o nascimento (por volta dos dois anos), e pode prosseguir até a terceira década, nem todos os neurônios, contudo, são mielinizados.

A mielina é uma substância lipoproteica (constituída de gordura e proteína) produzida por certos tipos de gliócitos (células especializadas do sistema nervoso central). Essas células se enrolam em torno dos axônios, formando uma bainha isolante que, entre outras coisas, contribui para aumentar a velocidade de propagação do impulso nervoso, atribuindo maior eficiência na transmissão da informação, garantindo então, o estímulo através dos neurônios. Dessa maneira, o processo de mielinização tem uma relação direta com a aprendizagem, assim como a quantidade de conexões entre as células neuronais.

O cérebro infantil em desenvolvimento é plástico, ou seja, capaz de reorganizar-se em padrões e sistemas de conexões sinápticas para melhor adequar o organismo em crescimento às novas capacidades intelectuais e comportamentais da criança.

Apesar do aprendizado não ser evento exclusivo das mentes mais jovens, as células em desenvolvimento têm maior capacidade de adaptação do que as maduras, em idades mais avançadas. Portanto, os cérebros jovens tendem a aprender mais facilmente.

Gravidez e pós-natal: dicas que protegem o cérebro e facilitam a aprendizagem

1ª) Evite o estresse para não produzir hormônios que provoquem malefícios ao corpo.

2ª) Coma mais peixe, devido à ingestão de ácidos graxos e ômega 3.

3ª) O colostro (líquido amarelado secretado pelas glândulas mamárias, alguns dias antes e depois do parto, rico em anticorpos) e a amamentação ajudam na formação desse envoltório lipoprotéico.

4ª) Não use nenhum tipo de medicamento, só se for indicado por um médico.

5ª) Não use toxinas ambientais - por exemplo: a cocaína aumenta o risco de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade, podendo também provocar baixo peso na criança ao nascer.

6ª) Portanto, uma das melhores coisas que se pode fazer para proteger o cérebro da criança e garantir um bom desenvolvimento para aprendizagem é manter a excelência do sono, alimentação e bons pensamentos.

7ª) Brinque mais, converse com a criança, a brincadeira e o diálogo promovem novas sinapses, portanto produzem mais conexões neurais.




Marta Relvas

Bióloga; Doutora e Mestre em Psicanálise; Neuroanatomista; Neurofisiologista; Psicopedagoga e Especialista em Bioética; Tem certificação no programa internacional em Reggio Emília Study Abroad Program na Itália; Title of People Expression Special category Best Practices in Education Neurosciences and childhood and adolescence learning of Erasmus+ University – Europe – Portugal; Membro Efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento; Membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia Rio de Janeiro; Autora de livros e DVDs sobre Neurociência e Educação – Transtornos da Aprendizagem publicados pela Editora WAK e Editora Qualconsoante de Portugal; Atua ainda como Professora Universitária na Universidade AVM Educacional / Cândido Mendes, nos cursos de pós graduação em Psicopedagogia, Psicomotricidade, Neurociência Pedagógica, e na formação Docente; Professora na Universidade Estácio de Sá no Rio de Janeiro nos cursos das áreas: saúde, licenciatura; Professora Mentora do curso de Neurociência e Educação CBI OF Miami. Professora, pesquisadora convidada no curso de pós graduação de Neurociência do IPUB/ UFRJ. Coordenadora do Programa de Pós graduação de Neurociência Pedagógica na Universidade Candido Mendes/ AVM Educacional. Palestrante no Brasil e no exterior.



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