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Educação permanente traz bem-estar ao idoso

por Elisandra Vilella G. Sé

Até pouco tempo atrás, a universidade era espaço destinado prioritariamente aos jovens, o futuro do país. A grande demanda do envelhecimento populacional, com o aumento da longevidade, refletiu na tomada de consciência por parte dos programas educacionais, de que a educação poderia ser um processo permanente, contínuo e aberto a todas as idades, embora a universidade sempre estivesse aberta a todas as pessoas.

Recentemente, a educação, sobretudo as universidades, têm dado atenção ao fenômeno do envelhecimento e à inclusão das pessoas mais velhas em seus programas de educação permanente.

A educação permanente propicia às pessoas uma adaptação social, o aprendizado contínuo e oportunidades para buscar o seu bem-estar físico e mental. Por meio da educação permanente, os programas educacionais destinados às pessoas idosas nas Universidades Abertas à Terceira Idade têm possibilitado um grande número de pessoas adultas e idosas à atualização, aquisição de novos conhecimentos, participação ativa em atividades culturais, sociais, políticas, de saúde e de lazer.

A participação de idosos nesses programas tem despertado a grande maioria dessa camada da população para a tomada de consciência do envelhecimento ativo, do alcance de um envelhecimento bem-sucedido e da boa qualidade de vida na velhice. Nos programas de educação permanente, destinados aos idosos, o trabalho em conjunto de aluno-professor, impulsiona-os para o aprendizado mútuo, recíproco, em que o professor e o aluno, juntos, dividem expectativas e ansiedades, descobrindo formas de vencer preconceitos e enfrentando desafios impostos pela sociedade às pessoas mais velhas.

As Universidades Abertas à Terceira Idade foram criadas para ser um espaço destinado à educação permanente das pessoas idosas. Porém, pessoas de outras faixas etárias, como sendo da maturidade, ou seja, com idades abaixo de 60 anos, também têm participado ativamente dos programas das Universidades para a Terceira Idade, principalmente pessoas que quando jovens não tiveram acesso à Universidade, pessoas aposentadas, livres de suas responsabilidades de criação dos filhos ou do trabalho rotineiro.

No Brasil, após um período de experiência e aprendizagem com as atividades de educação para os idosos, tem-se buscado consolidar e ampliar os objetivos desses programas de acordo com as diretrizes da educação nacional, que funcionem de maneira integrada e interdisciplinar, mesmo com as dificuldades de um país ainda em crescimento. Atualmente, a grande maioria dos programas universitários brasileiros para o grupo de pessoas da terceira idade segue o modelo francês (modelo tradicional da Universidade de Toulouse) que privilegia a reinserção social dos idosos e a educação permanente, tornando-se um espaço em que os idosos podem relacionar-se, utilizar criativamente seu tempo livre, estudar e atualizar-se em cursos regulares ou organizados de acordo com seu perfil.

Na França, o conceito de organização desses espaços universitários evoluiu implantando programas que além de contar com a educação permanente, contam também com a preparação dos idosos para intervirem em problemas sociais, desenvolvimento de pesquisas gerontológicas (isto é, do desenvolvimento físico, psicológico e social do idoso) e atividades baseadas em participação, autonomia e integração.

A lei que define a Política Nacional do Idoso (Congresso Nacional, 1994), aponta com clareza a necessidade de se formar pessoal de nível superior para atendimento às demandas dos idosos, de se produzirem conhecimentos sobre os processos de envelhecimento e de se criarem Universidades Abertas à Terceira Idade. É de suma importância que o professor tenha conhecimento gerontológico, com a consciência de que a população mais velha possui características peculiares.

Os conteúdos desenvolvidos pelas Universidades Abertas à Terceira Idade, estimulam as possibilidades individuais, a consciência crítica, a reflexão, a autonomia, o exercício de cidadania, aumento das redes de relações, as relações intergeracionais, abrem horizontes para novas ideias criativas, proporcionam o aumento da cultura, do lazer, da atividade física e mental, valorizam as histórias de vida, os resgates de experiências, a quebra de tabus e preconceitos com relação à velhice.

Enfim, possibilitam novas formas de melhorar a qualidade de vida e a adaptação social das pessoas adultas e idosas.

Experiências têm mostrado que quando as pessoas ao longo do seu desenvolvimento, possuem oportunidades adequadas para adquirir e colocar em prática seus conhecimentos, aprimorar habilidades, manter relacionamentos sociais significativos e, estando motivadas, melhoram o seu bem-estar.

A educação deve ser um processo contínuo e permanente vivido pelo ser humano por toda a vida, não só pelo contato com a escola e universidades, pelo sistema formal, mas também por meio da sociedade que transmite, conserva e aperfeiçoa seus valores.

A universidade significa ter o conhecimento “universal”. A vida em sociedade também proporciona o conhecimento de mundo e até em fases mais avançadas a escola e as agências institucionais devem valorizar esse conhecimento de mundo das pessoas mais velhas.

Nem a criança e nem o adulto por menos letrado que sejam, são um papel em branco. O potencial humano para o desenvolvimento não se encerra na vida adulta e ou na velhice. É importante lembrar que em todas as idades o ser humano tem a possibilidade de progredir.


Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.

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