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Síndrome de fadiga crônica: cansaço inexplicável não é aliviado com repouso

SFC atinge 4% da população, incidência maior em mulheres

01 jan, 2016

por Joel Rennó Jr.

Uma das queixas mais frequentes em consultórios médicos é a de cansaço. Geralmente, são pacientes que já procuraram vários profissionais e não conseguem um diagnóstico preciso. Na maioria das vezes ocorre em mulheres. Muito diferente do cansaço habitual após grandes esforços físicos, como os feitos no Carnaval.

Alguns relatam infecções três a seis meses antes, melhoram de todos os sintomas e permanecem cansados, outros começam a apresentar os sintomas lentamente.

Quando a fadiga tem causa inexplicável por um período de mais de seis meses e que não é aliviada com repouso devemos pensar na Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) que atinge cerca de 4% da população. A incidência é maior no sexo feminino e entre 20 e 50 anos de idade. Muitos a confundem com depressão e fibromialgia.

Os critérios diagnósticos foram definidos em 1988 pelo Departamento de Controle e Prevenção de Doença dos Estados Unidos (CDC) e atualizados em 1994. Além da fadiga intensa, o paciente deve apresentar pelo menos quatro dos sintomas abaixo:

- Dor na garganta recorrente
- Gânglios no pescoço ou nas axilas
- Dor muscular
- Dor em múltiplas articulações
- Cefaléia
- Sono não restaurador
- Mal-estar após exercícios físicos
- Perda de memória e concentração

O diagnóstico ainda é polêmico, muitos estudos ainda procuram conhecê-la melhor. De qualquer forma, pode representar uma quebra do equilíbrio normal de funcionamento do organismo, como por exemplo, ocorre no estresse. Pode sinalizar um desequilíbrio na relação harmônica mente-corpo.

Na avaliação inicial, uma ampla investigação clínica é fundamental. Doenças renais, cardíacas, hepáticas, anemia, câncer, desordens hormonais, obesidade severa, uso de álcool e drogas, distúrbios alimentares, depressão e efeitos colaterais dos medicamentos devem ser pensados sempre. O que sobra por exclusão deve ser denominado como SFC.

O tratamento envolve esclarecimento do paciente e familiares. O tratamento com medicamentos pode envolver analgésicos, antiinflamatórios e antidepressivos entre outros. O acompanhamento psicológico (cognitivo-comportamental) também é importante, além dos exercícios físicos aeróbicos programados.


Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br

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