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Estresse financeiro: saiba por que homens e mulheres reagem de modos diferentes

Mulheres precisam decidir sozinha por ficar e lutar

por Eliana Bussinger

Em se tratando de estresse financeiro homens e mulheres:

- Reagem biologicamente de maneira diferente

- Possuem algumas diferenças com relação aos estressores - ou aquilo que causa estresse

As razões para reações biológicas diferentes entre gêneros estão relacionadas à produção de certas químicas cerebrais.

Homens e mulheres quando confrontados com uma situação de estresse agudo, produzem um fluxo poderoso de substâncias neuroquímicas e hormônios. Até recentemente julgava-se que ambos reagissem da mesma maneira.com uma resposta psicológica que ficou conhecida como “lutar ou fugir”, uma expressão cunhada em 1932 por W.B.Cannon.

Herdada dos homens das cavernas, essa reação química, conforme foi teorizada, coloca a pessoa na rápida disposição biológica de decidir se irá fugir ou se há alguma chance de ficar e enfrentar o perigo. A glândula adrenal recebe o sinal de que algo está muito errado e dispara a produção imediata do hormônio cortisol, que por sua vez inibe o sistema imunológico enquanto aumenta excessivamente a produção de glicose e oxigênio nos músculos.

Com a liberação de adrenalina o coração dispara, a respiração acelera e as pernas e os braços esquentam com o aumento do fluxo sanguíneo para nos ajudar a correr ou subir em árvores - na savana é claro. Até mesmo o sangue do cérebro frontal vai para a espinha dorsal, já que pensar é a última coisa que fazemos em tal situação. O importante, na pré-história, era ter a habilidade de “correr ou lutar” em tais situações e não ficar raciocinando sobre o que deveria ser feito.

Mas, estudos da Universidade da Califórnia - UCLA ao observar que nem sempre a mulher, na pré-história, podia lidar com apenas essas duas opções, sugeriram que algo mais deveria se passar no cérebro feminino.

Para começar as mulheres são menores e mais frágeis fisicamente, portanto nem sempre poderiam lutar. Se estivessem em uma gravidez avançada não teriam como correr, muito menos lutar. E carregando um filho pequeno nos braços essa coisa de “correr ou lutar” estaria definitivamente fora de questão. As pesquisas já demonstraram que as fêmeas de mamíferos quase nunca abandonam seus bebês em situação de perigo.

Cuidado e intimidade

Então, o cérebro feminino precisou desenvolver outras estratégias de sobrevivência e evolução, caso contrário nem estaríamos mais por aqui. Para a pesquisadora Shelley Taylor, os caminhos da agressão dos cérebros masculinos são muito mais diretos do que o das mulheres. No cérebro feminino o circuito para a agressão é mais estreitamente ligado a funções cognitivas, emocionais e verbais. Sim, exatamente o que você pensou. Em situação de estresse, na savana, a mulher provavelmente gritava - e muito – não só para assustar o agressor, mas também para atrair as outras mulheres que em bando poderiam ajudá-la. Esse comportamento de vínculos sociais é chamado de “cuidado e intimidade”, ou na expressão em inglês: tend and be-friend.

Ao seguir esse comportamento instintivo a mulher também produz um outro hormônio chamado de oxitocina, o hormônio do cuidar. Ao ser mais propensa a cuidar de seus filhos e a estar com outras mulheres – cuidando-se entre si – a oxitocina que é produzida ameniza a avassaladora invasão do cortisol no cérebro.

O homem também produz oxitocina, mas em quantidades pequenas e em situações muito especiais, já que a testosterona (o hormônio da energia e da agressividade) costuma preponderar, até mesmo inibindo os demais.

Mas o que a savana tem a ver com a vida moderna e o estresse financeiro?

Para começar o cérebro da mulher moderna ainda abriga as redes de circuito das nossas ancestrais que sobreviveram, graças ao desenvolvimento dessas estratégias. Portanto, esse processo que descrevi ainda é uma realidade em nossas cabeças.

A boa notícia é que alguns estudiosos concluíram que, ao menos aparentemente, as mulheres possuem mais recursos biológicos do que os homens para lidar com o estresse ou com seus efeitos. Afinal, é dela a prerrogativa de tend and be-friend , ou seja, conversar e negociar com os seus atacantes ou agressores: “calma, bichinho” é sempre uma reação comum em filmes e desenhos animados quando a mulher enfrenta o risco.

A má notícia é que muitas outras pesquisas, no entanto, acabam demonstrando que as mulheres estão muito mais estressadas do que os homens nos dias de hoje. E, ainda que mais estratégias estejam disponíveis para solucionar, muito disso se anula quando as mulheres estão muito mais vulneráveis aos efeitos tóxicos do estresse em seus corpos.

Essas pesquisas também demonstram que as principais razões do estresse feminino são família e dinheiro. Não necessariamente nessa ordem. É que, hoje, a maternidade tornou-se uma atividade solitária tanto por causa do aumento das taxas de divórcio quanto por falta de apoio das empresas e da sociedade.

Portanto, as estratégias de combate ao estresse nem sempre podem ser usadas pela mulher moderna.

Gritar para quem socorrer? As mulheres de hoje, quase sempre, precisam decidir sozinha por ficar e lutar. E o que é pior, com os filhos no colo!


Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.

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