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Como impor limites aos pequenos?

Colocar limites não é bronca, é um ato principalmente de amor

por Threreza Bordoni

Impor limites I
"Gostaria de saber como posso fazer para minhas filhas de sete e dois anos terem respeito por mim e pelo pai e não medo?"

Resposta: Primeiro é preciso que você tenha a clareza que suas filhas não são você, por isto elas podem ter comportamentos completamente diferentes do que você teria ou deseja que elas tenham. Isto não quer dizer que não possam ser pessoas carinhosas e afetivas.

Segundo, nestas duas idades a palavra não tem o valor de um conceito adulto, ao dizer "te odeio" sua filha quer representar o sentimento de frustração daquele momento vivido. Nesta hora sugiro que diga a ela que entende que esteja com raiva, mas o quanto a ama do mesmo jeito e por isto sabe o que é melhor para ela naquele momento.

Impor limites II
"Meu filho tem apenas três anos e está naquela fase de responder e ficar gritando, não estou sabendo como agir com ele."

Resposta: Os limites são importantes para a formação da personalidade, são eles que vão ajudar a criança a desenvolver a capacidade de suportar frustrações. A falta de limites pode provocar desgastes na relação familiar, excesso de castigo, culpa nos pais e, por tudo isso, sofrimento. Ademais, a birra da infância pode transformar-se, mais tarde, em agressividade, violência ou depressão. É preciso coragem para educar os filhos com a disciplina necessária. Mesmo que muitas vezes seja mais fácil e tentador dizer um "sim". É preciso colocar limites e assim ensinar os filhos a fazer renúncias e respeitar o espaço e os direitos dos outros. Essa atitude contribuirá para que as crianças cresçam saudáveis e felizes, aptas a se relacionar com os outros e a viver em sociedade.

Diga não e explique seus motivos sem ter medo de seu filho, seja bastante clara e objetiva, não faça da explicação uma justificativa. Nesta idade ainda é preciso muito o gesto concreto para que a criança perceba que seu espaço acabou. Em nenhuma hipótese aceite os gritos ou birra de seu filho como algo natural, pois não é, é um comportamento da infância que precisa e deve ser limitado para que ele cresça feliz e saudável.

Impor limites III
"Tenho um filho de três anos que está na fase de dar escândalo em público, se contrariado. O que eu faço?"

Resposta: Sua questão apresenta dois pontos importantes para análise:

1º) Criança de três anos que dá escândalo se contrariado é birra.

2º) Falta de sintonia e respeito na relação pais/filho.

A criança precisa de limites desde cedo para não se tornar um reizinho mandão. Os pais devem conversar e explicar as coisas, mesmo que achem que os filhos não entendem. Outro ponto importante é manter um discurso coerente para não confundi-la. Ou seja, explicar os motivos pelos quais aprovam ou desaprovam suas atitudes e para isto é preciso que pai e mãe estejam conscientes da importância dos limites para a criança. Se os pais estiverem inseguros sobre a educação, os filhos percebem e passam a dominar a casa porque pensam que os pais são fracos.

Com certeza seu filho dá escândalo em público, porque já aprendeu a tirar proveito desta situação e também, por motivos da relação marido e mulher, vocês não estão conseguindo dizer não com a tranqüilidade e firmeza necessárias para que ele compreenda e aceite. Mas isso ainda pode ser feito, sem medo e, principalmente, sem culpa. É preciso que você e seu marido entrem em um consenso e principalmente encontrem o respeito na relação de ambos, como pai e mãe. Mesmo assim ainda encontrarão dificuldade para mudar o que está estabelecido, mas não tenham dúvidas de que conseguirão. Não duvidem também de que é exatamente isso o que seu filho precisa. As crianças pequenas gostam que digamos não, assim como gostam de ser mimadas. Castigar ou aplicar a ocasional palmada poderá ser necessário em alguns momentos e vocês saberão como e quando fazê-lo.

Nem a disciplina militar, nem a liberalidade excessiva. A medida certa é a liberdade vigiada, o meio- termo ideal, para que não percam a espontaneidade natural, nem se transformem naquelas crianças chatas e impertinentes que se acham com todos os direitos do mundo, sem nenhuma obrigação.

Impor limites IV
"Minha filha de 10 anos parece nunca estar satisfeita, se ganha um celular hoje, depois de alguns dias já quer outro porque acha aquele ruim."

Resposta: Pelo excesso de amor queremos preservar nossos filhos de toda 'tristeza' e por isto nos desdobramos para atendê-los. Infelizmente na maioria das vezes isto tem o efeito contrário ao que desejamos. Acabamos por contribuir para criar jovens sem limites e respeito. Os limites sempre devem ser mostrados às crianças, para que elas saibam até onde podem chegar sem serem inconvenientes. Crianças mimadas ou super protegidas transformam-se em adultos problemáticos.

Sua filha precisa conviver com a frustração, mesmo que sua situação financeira permita lhe dar tudo o que deseja. É preciso que se estabeleça um limite. Uma mocinha de 10 anos já é capaz de controlar seus próprios gastos. Que tal estabelecer uma mesada (com um valor suficiente para pequenos gastos mensais e que necessite de planejamento e poupança para gastos maiores - como o celular). Isto irá ajudá-la a crescer. Sua filha está se transformando a cada dia, em breve entrará na adolescência, deparando-se com novas exigências típicas da idade, as quais precisa cumprir para evoluir. Se a criança executá-las, amadurece. Se os pais fizerem tudo por ela, estão incapacitando-a para obrigações típicas da vida.

Dizer um não pode render cara feia, mas garante que sua filha vai entender que não é possível ter tudo e que vai se comportar sempre com educação e estará mais bem preparada para os desejos da adolescência. Bom senso e perspicácia na infância garantem adultos seguros e conscientes.


Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.

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