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Excesso de irritabilidade pode ser doença?

Irritabilidade persistente pode fazer parte de alguns transtornos mentais

01 jan, 2016

por Joel Rennó Jr.

"Tenho 36 anos e tem mais ou menos quatro anos que sinto uma irritabilidade muito grande, fico com uma angústia no peito que não sei explicar de onde vem. Todos os dias acordo pensando que estou livre disso e lá está ela me incomodando. Já senti vontade até de tirar a minha vida, mas meu esposo me ajuda muito com conversas. Já fui à psicóloga e achei que ela não deu a importância devida. Fico tomando chá de camomila e tentando distrair minha mente. O que eu tenho? Por favor me ajude!!!"

Resposta: Quando avaliamos um sintoma como a irritabilidade, precisamos saber o nível de gravidade, a frequência de tal sintoma e o quanto o mesmo interfere na rotina de vida da pessoa, seu nível de incapacitação e até de disfunção social e familiar.

A irritabilidade pode ser circunstancial e autolimitada, bem como persistente e com nível de gravidade até preocupante para a própria pessoa que sofre dela.

A irritabilidade persistente pode fazer parte de alguns transtornos mentais como depressão, ansiedade, transtorno bipolar do humor (TBH), transtorno de déficit atencional e hiperatividade (TDAH).

Muitas mulheres com tensão pré-menstrual (TPM) também ficam com aumento significativo da irritabilidade cerca de 3 a 10 dias antes de menstruarem.

Portanto, quando a irritabilidade é persistente, causando sofrimento a si mesmo e aos outros, causando até uma disfunção das relações sociais e prejuízo nítido da qualidade de vida, a pessoa precisa procurar uma ajuda médica de um psiquiatra. É importante excluir-se alguns diagnósticos psiquiátricos que podem estar mascarados por esse sintoma clássico e geralmente ignorado até por alguns profissionais.

Há vários medicamentos, incluindo antidepressivos e estabilizadores de humor, que dependendo do tipo de diagnóstico realizado pelo psiquiatra, podem ser utilizados e diminuem consideravelmente a irritabilidade, sem quaisquer riscos de dependência. O importante geralmenteé o diagnóstico e tratamento correto do transtorno psiquiátrico de base, que pode estar causando essa irritabilidade de difícil controle por parte da vontade da pessoa.

A psicoterapia sempre é bem-vinda e necessária. Mas, em muitos casos, o uso de medicamentos específicos pode ser essencial e vital para a diminuição do grande sofrimento psíquico e melhora da qualidade de vida. Vale a dica de que alguns medicamentos para emagrecer podem causar aumento considerável também da irritabilidade, o mesmo se aplicando para pessoas que abusam de bebidas que contenham cafeína.

Por fim, algumas doenças clínicas como o hipertireoidismo e determinadas alterações hormonais próximas à menopausa também podem causar aumento importante da irritabilidade, entre outros sintomas. Exames clínicos rotineiros sempre são necessários para a exclusão dessas possibilidades orgânicas.

Atenção!

Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico psiquiatra e não se caracterizam como sendo um atendimento.


Dr. Joel Rennó Jr. MD, Ph.D. Professor do Departamento de Psiquiatria da FMUSP. Diretor do Programa de Saúde Mental da Mulher - Instituto de Psiquiatria da USP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein- São Paulo. Coordenador da Comissão de Estudos e Pesquisa de Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). www.psiquiatriadamulher.com.br
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