imagem de capa

Comportamento

Amor

Mãe e filha disputar o mesmo amor é muito comum

O ser humano está perdendo muitos de seus valores éticos

01 jan, 2016

por Tatiana Ades

O folhetim global Verdades Secretas (23h00) está sendo comentado na mídia.

Ela aborda um tema complexo, porém muito real: um homem que se envolve com mãe e filha amorosamente.

Por mais incrível que pareça, observo atrávés de minha prática clínica, que isso acontece muito: a competição entre mãe e filha e um mesmo amor a ser dividido.

Tive dois casos assim no consultório, onde pude perceber diferentes abordagens para uma mesma situação.

No primeiro caso, a filha arrasada e depressiva havia descoberto que a mãe estava saindo com o noivo há três meses.

Sentiu-se traída e pediu uma confrontação com a mãe, que tentava negar o fato.

Nesse caso, conversando com a mãe, percebi que ela estava depositando durante muito tempo as suas expectativas de vida na filha: sonhos e metas, desejos e ambições que deixara para trás.

Ela me contou que sentia-se humilhada por ter perdido tanto tempo de vida após ter engravidado e que havia abdicado de namoros, festas, cursos e amigos.

Começou então a colocar o "tempo perdido" nos passos da filha, mas mesmo assim, sentia-se frustrada, pois a percepção de que a jovialidade não voltaria mais a fez entrar em pânico.

Numa sensação de competição com a própria filha, sentiu-se agoniada, mas submersa num desejo incontrolável de sentir-se a filha. Ou seja, a projeção virou espelho e a imagem distorcida a fez agir de forma tão insensata.

Conseguimos reestabelecer a harmonia entre as duas, mas a filha alegou que nunca mais seria a mesma, haveria sempre uma desconfiança presente, fato muito compreensível.

Já no segundo caso, filha e mãe brigavam o tempo todo e ao contrário do instinto maternal, a mãe via uma rival mais jovem e bonita.

Seduziu o namorado da filha e deixou provas propositais para que essa se magoasse com isso.

E assim conseguiu: a moça entrou em depressão profunda e precisou ser medicada e internada.

Essa mãe em momento algum, mostrou-se arrependida ou culpada.

O ser humano é realmente complexo, mas às vezes a sensação que tenho é de que a espécie humana está perdendo muito de seus valores éticos, morais e instintivos.

Aonde iremos chegar?


É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.
person Andrea Lorena
event 20 dez, 2018

O que você achou do novo Vya Estelar?