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Ele está com medo de ser demitido e isso atrapalha nosso namoro. O que faço?

Anette Lewin 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Tente distraí-lo com outros assuntos quando for possível

por Anette Lewin

"Recentemente a empresa em que meu namorado trabalha começou uma série de demissões e ele pode ser o próximo da lista. Desde que isso começou, ele simplesmente se fechou e vivemos distantes um do outro. Namoramos há um ano e sete meses meses e nunca tivemos crises, brigas, términos e sempre resolvemos tudo na conversa.

Sempre que o chamo para conversar sobre isso, ele sempre diz a mesma resposta "Estou preocupado com o futuro e com medo de ficar desempregado". Atualmente mal conversamos ou agimos como um casal normal e agora vivo de incertezas sobre nosso futuro e com inseguranças. Não sei como agir diante disso. Começo a pensar se isso tudo não criou um abismo entre nós e a única solução seria terminar. Help-me!"

Resposta: Para entender melhor seu namorado seria importante você avaliar, primeiramente, o que significa uma ameaça de demissão na vida dele.

Para quem ainda não passou por essa situação, talvez fique difícil entendê-la. Seu namorado parece ser uma pessoa batalhadora e esforçada que se encontra, neste momento, em uma situação que ele não pode controlar. Talvez ele fique ensimesmado buscando novas ideias para o caso de ser demitido; talvez o nível de ansiedade dele esteja num grau tão elevado que ele não consegue se desfocar da questão. Pode ser que ele seja uma pessoa mais depressiva ou outras tantas hipóteses.

Você pergunta como agir frente a esse contexto. Entenda que essa, provavelmente, não será a única situação em que ele terá que resolver problemas de subsistência tirando você do foco. É o jeito dele agir frente aos conflitos. Se você, nesses momentos, tentar pensar junto com ele, levantar novas ideias profissionais, conseguir ser cúmplice, enfim, envolver-se com o problema que, afinal é dos dois, estará mais perto do acerto do que se ficar pensando em romper justamente na hora em que mais ele precisa de apoio.

Pessoas reagem de forma diferente a situações adversas. Alguns, com otimismo exagerado, só enxergarão o problema quando ele já estiver acontecendo; outros mais pessimistas, tentarão antecipar a tragédia e encontrar meios de atenuá-la; outros ainda fugirão do problema para não ter que resolvê-lo.

Algumas pessoas gostam de compartilhar suas angústias; outras se fecham. Não sabemos qual dessas fórmulas é a melhor mas, se você está querendo fugir dos seus conflitos de relacionamento terminando tudo, tente entender que seu namorado é dos que enfrentam o problema cara a cara.

"Mas ele poderia me dar atenção e ao mesmo tempo dar atenção às suas angustias", dirá você. Vale a pena ressaltar, como já dissemos tantas vezes, que mulheres são capazes de manter vários focos de atenção ao mesmo tempo mas homens não.

Se você realmente está disposta a entender o que é uma vida compartilhada voluntariamente com alguém, esta é uma ótima oportunidade para fazê-lo.

Quando ele estiver com seus problemas, esteja ao seu lado. Tente distraí-lo com outros assuntos quando for possível e, quando não for, simplesmente deixe que ele mergulhe em seus pensamentos. Pense em novas soluções quando ele estiver disposto a conversar, mas fique ao lado dele, nem que seja calada, apenas fazendo companhia quando o diálogo não for possivel. A importância que você pode vir a ter para ele certamente dependerá muito mais da cumplicidade que for estabelecida nesses momentos do que da quantidade de atenção ativa que você recebe.

Se, porém, você entende que sua necessidade de atenção é constante e o sofrimento que o isolamento de seu parceiro lhe proporciona é intolerável, talvez esse não seja o parceiro ideal para você. Coloque as reflexões acima na balança e tome sua decisão.

ATENÇÃO: As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psicologia e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Vya Estelar quer colocar você, querido leitor, mais perto ainda de nós. Esse profissional irá responder dúvidas enviadas pelos internautas sobre um determinado tema. A psicóloga Anette Lewin responderá sobre relacionamento amoroso, conflitos na vida a dois e conjugal. Esta resposta possui dois formatos: 1º formato: responder as perguntas enviadas pelos leitores. 2º) formato: de A a Z, explicar através de uma palavra em específico (verbete) o significado do que sentimos ao amar. Esta palavra será extraída de um e-mail enviado pelo leitor a esta coluna. Os e-mails serão selecionados e editados de acordo com critério editorial do Vya Estelar, já que não será possível responder a todos. Seu nome e e-mail serão preservados.

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Anette Lewin

É psicóloga graduada pela PUC/SP. É psicoterapeuta de adultos e adolescentes em consultório particular desde 1975 até a presente data. É coach em saúde mental.



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