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Autoconhecimento

Minhas Atitudes

Aprenda a exercitar sua capacidade de autorreflexão

Nossas crenças de autoeficácia controlam nossas atuações

por Elisandra Vilella G. Sé

As capacidades de simbolizar, planejar estratégias alternativas, aprender com experiências vicárias (de outrem), autorregular e autorrefletir, são capacidades básicas que definem o ser humano. Essas capacidades proporcionam aos seres humanos os meios cognitivos (capacidade de aquisição de conhecimento) pelos quais influenciam e determinam o seu próprio destino.

Somos seres simbólicos. Essa capacidade de usar símbolos nos diferencia dos animais e nos ajuda a extrair significados ou atribuir significados ao ambiente e às ações. Essa capacidade de lidar com o simbólico, é que permite elaborar estratégias para resolução de problemas, aprender, orientar comportamentos, armazenar informações, usar os conhecimentos de forma variada, ter pensamento reflexivo e atuar no mundo.

Pelo uso de símbolos, as pessoas planejam linhas de ação, preveem as consequências prováveis dessas ações e estabelecem objetivos e desafios pessoais, de modo que possam motivar-se, orientar-se e regular suas atividades. É por causa da capacidade de planejar estratégias alternativas, que se podem prever as consequências de uma ato, sem chegar a executá-lo.

Capacidade de autorreflexão

Para Bandura (1986), a capacidade que é mais “distintamente humana” é a da autorreflexão. É através da autorreflexão que as pessoas exploram suas próprias cognições, habilidades, se autoavaliam, planejam novas ações, novas estratégias, novos desafios e modificam seu comportamento. Nessa capacidade de autorreflexão, também chamada de habilidade metacognitiva, estão os julgamentos que as pessoas fazem de suas próprias habilidades para organizar e executar suas ações e alcançar determinados tipos de desempenhos em diversas tarefas.

Julgamento próprio = crença de autoeficácia

Esses julgamentos que fazemos de nós mesmos são as chamadas crenças de autoeficácia. Diz respeito ao quanto acredito em minhas competências, capacidades, habilidades para realizar algo e alcançar os resultados que desejo. Muitas vezes o sucesso ou o fracasso está associado nas crenças de autoeficácia. A motivação, os estados afetivos e as ações das pessoas baseiam-se mais no que elas acreditam, do que no que é objetivamente verdadeiro. As crenças influenciam muitos aspectos da vida e ajudam a determinar os resultados.

Estudos na área (Bandura, 1997)1, mostram que pessoas que pensam de forma produtiva, capaz e otimista perseveram em uma atividade, se automotivam, acreditam em suas ações. São indivíduos que regulam melhor seu pensamento e seu comportamento, apresentando os resultados que desejam.

Apresentar bom desempenho em tarefas do dia a dia depende de muitos fatores. O sucesso ou fracasso que as pessoas encontram à medida que executam as muitas tarefas que compreendem a sua vida, naturalmente influenciam as muitas decisões que devem tomar. Além disso, o conhecimento e as habilidades que possuem, certamente desempenharão papéis críticos no que decidem fazer ou não fazer.

Assim, a forma como as pessoas agirão, por meio de suas crenças em suas capacidades, ajudam a determinar o que os indivíduos fazem com o conhecimento e as habilidades que possuem. Isso ajuda a explicar por que os comportamentos das pessoas às vezes não estão relacionados com suas capacidades reais e por que o seu comportamento pode ser diferente ou abaixo do esperado, mesmo que tenha conhecimentos e habilidades semelhantes a dos outros.

Crenças de autoeficácia do que realmente a pessoa é capaz de realizar, muitas vezes reverberam no desempenhos de tarefas e na resolução de problemas no dia a dia. E às vezes a pessoa acredita ser capaz de realizar tal tarefa, ou aprender algo e isso na realidade não ocorre. As realizações das pessoas são melhores previstas pelas crenças de autoeficácia somadas às realizações anteriores, ou seja, o que você já desempenhou antes, o que você já mostrou ser capaz de fazer.

As expectativas que temos das nossas realizações, quando nos engajamos em alguma atividade ou tarefas em grupo, estão relacionadas à avaliação que fazemos das nossas crenças de autoeficácia. Nós avaliamos o tempo todo aquilo que podemos realizar ou não.

Um sentido de eficácia elevado demais pode não levar a resultados esperados. É preciso sempre de um ajuste, por isso é essencial nossa capacidade de autorreflexão, autoconhecimento e autoconversação.

Então para melhorar sua atuação, comece a analisar o que você está dizendo para si mesmo, para manter sua vida mais ativa, satisfatória e saudável com resultados positivos, afetos positivos e bem-estar.

Aprenda a exercitar sua capacidade de autorreflexão

As crenças de autoeficácia podem lhe ajudar a agir da seguinte maneira:

Como está a minha atuação em determinada tarefa?

Como tenho feito minhas atividades?

Como tenho me relacionado com as pessoas?

Minhas atuações reforçam uma imagem positiva ou negativa?

Como me sinto a respeito de mim mesmo? Confiante, não confiante?
.
Como posso atuar ou resolver problemas da próxima vez?

Da próxima vez posso fazer melhor?

Fazendo essa autorreflexão e visualizando como você quer que sejam suas atuações, suas atividades, seus resultados e estabelecendo metas de vida, você terá um bom funcionamento, enfrentará melhor os desafios e situações de estresse.

Cancele ou delete críticas depreciativas ou opiniões negativas; reforce sua autoimagem; registre uma imagem positiva de suas habilidades. Nossas crenças de autoeficácia controlam nossas atuações.

1 Albert Bandura (1997) Teoria social cognitiva. Artmed.
Professor of social Science in Psychology Stanford University (Califórnia, EUA)


Fonaoudióloga pela Faculdade Tereza D'Ávila de Lorena (FATEA/USC) (1995), Mestre em Gerontologia pela Faculdade de Educação da UNICAMP (2003); Doutorado em Linguística - Área de Neurolinguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem da UNICAMP (2011); Especialista em Educação em Saúde para Preceptores do SUS pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês (2013); foi pesquisadora visitante na Associação Alzheiemr Portugal em Lisboa (2013); Coordenadora da ABRAZ - Associação Brasileira de Alzheimer - sub-regional Campinas e Jaguariúna.

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