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Saúde e Bem-estar

Beleza e Corpo

Epidemia do zika vírus requer acompanhamento psicológico na gravidez

Houve profunda modificação nos hábitos das gestantes

01 jan, 2016

por Karina Simões

Não bastassem as incertezas de toda grávida quanto à saúde de seus bebês, que são comuns, a "epidemia" de microcefalia tem transformado a vida de milhares de mulheres numa angústia que parece só ter fim, ao terem os filhos nascidos, em seus braços.

A ocorrência de inúmeros casos de má formação fetal transformou a vida de milhares de pessoas e de famílias. Tudo mudou. Desde a forma de se vestir, ao uso de produtos químicos, tipo de repelentes ao inseto, passando pela privação e evitação de frequentar determinados lugares públicos. Houve profunda modificação nos hábitos e comportamentos das gestantes.

No consultório, tenho atendido a grávidas em estados de angústia elevada, retroalimentados pelos desencontros de informações científicas e ainda a falta de conhecimento total diante do mal que bate à porta: o mosquito!

O efeito psicológico disso tudo para essas mulheres e para os nascituros somente o tempo dirá. De fato, a situação de gravidez gera um sofrimento psíquico a qualquer gestante diante da real possibilidade de ser infectada pelo vírus da zika. Penso que quase a unanimidade das atuais gestantes no Brasil está atormentada pelo receio de serem infectadas. Esse fato, por si só, é relevante e precisa de especial atenção das autoridades brasileiras e profissionais da saúde como um todo, uma vez que pesquisas científicas atestam que o estado psíquico da mãe gera direta interferência no feto.

Cada vez mais são alarmantes os danos causados por um mosquito que veio para tirar o sossego dos brasileiros e modificar a dinâmica rotineira familiar.

Diante deste fato que aqui chamo atenção, sugiro que o sistema de saúde brasileiro possibilite a assistência psicológica por meios de atendimentos individuais e até mesmo de grupo a essas mães como forma de amenizar seus sofrimentos e evitar maiores danos aos seus bebês.

Num País onde tudo se tolera, estamos literalmente engasgados com um mosquito!


Psicóloga clínica cognitivo-comportamental. Possui especialização em Psicologia da Saúde e Desenvolvimento pela UFRN. Especialização pela Faculdade de Medicina do IPHC da USP. Membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas - FBTC. Mais informações: www.karinasimoes.com.br

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