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O que representa mulheres ganharem 30% menos do que os homens

por Eliana Bussinger

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), lançou pela primeira vez, em parceria com a Secretaria Especial de Política para as Mulheres, um sistema de indicadores denominado de Sistema Nacional de Informações de Gênero (SNIG), que confirmou o que já sabíamos: as mulheres brasileiras ganham 30%  menos do que os homens, em média.

Segundo dados ainda do IBGE publicados em 2003, mulheres com mais de 11 anos de escolaridade ganhavam 56% a menos do que seus pares masculinos.

Mas o que significa ganhar 30% a menos do que os homens, considerando apenas os aspectos financeiros e deixando de lado ilegalidades e discriminação?

Essa porcentagem representa quase um terço a mais de remuneração para eles. Vejamos algumas coisas que esse um terço pode significar:

Anos e meses mais curtos

É como se eles tivessem que trabalhar apenas 240 dias do ano, ou 20 dias do mês, considerando finais de semana.

Anos e meses mais longos

Sob a ótica feminina, as mulheres que são vítimas dessa discriminação salarial, teriam que trabalhar 40 dias para receber o mesmo salário deles, ou seja, 480 dias.

Salário muito mais curto que o mês
 
O salário delas, se utilizado exatamente como o dos homens, duraria apenas 20 dias do mês - 240 dias do ano.

O salário mais curto do que o mês, que é um fenômeno social no Brasil, é de fato bem mais curto do que mês deles para muitas mulheres.

Vejam o exemplo:

Imaginemos um homem e uma mulher, ambos solteiros, sem filhos, que ilustrem a desproporcionalidade salarial da média de 30%, e que por hipótese, utilizem exatamente a mesma quantia para viver (casa, transporte, roupas, tudo absolutamente idêntico).

Vamos supor que o salário dele é R$1.000 e o dela R$700. E que ambos, com despesas idênticas, gastem 600 por mês (usei esses números apenas por serem simples, e permitir que visualizemos melhor a porcentagem de 30%)

A parte poupada por ele é de R$400. Já ela poupará apenas R$100 por mês.

Vamos ainda imaginar que ambos fizessem uma aplicação em um produto financeiro cuja rentabilidade anual fosse 10% ao ano, e que essa quantia mantida mensalmente, fosse utilizada apenas 40 anos depois, para a aposentadoria.

Em 2046, eles teriam as seguintes quantias para utilizar na aposentadoria:

Ele – R$ 2.224.664,84
Ela – R$    559.560,65

A recompensa foi maior porque ele poupou quatro vezes mais do que ela, o que torna a conta óbvia. Se ela tivesse poupado os mesmos R$400 teria chegado ao mesmo resultado.

A questão é que ganhando menos as mulheres poupam menos.

Além disso das contas que eu fiz, muitos outros fatores estressantes se somam a essa situação. Um exemplo: ir para o trabalho todo dia e sentar por oito horas, ao lado de homens que exercem a mesma função que você. Mas ganham 30%, 40% a mais.

Discriminação salarial nos EUA é de 20%

Estudo realizado pelo Ministério do Trabalho norte-americano, constatou que a discriminação salarial de gêneros nos Estados Unidos é de 20%. Essa diferença 'usurpa' da mulher americana 250 mil dólares em média, ao longo da vida. Essa é uma perda anual de renda de mais de 200 bilhões de dólares para as famílias americanas. O governo americano já constatou que está perdendo um bom dinheiro em impostos.

Atenção governo brasileiro, mulheres que ganham igual aos homens pagam muito mais impostos e podem gastar mais, estimulando as vendas e a economia.


Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.

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