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Comportamento

Amor

Minha filhinha disse que arrumou um namoradinho. O que faço?

Aja com naturalidade e não polemize o assunto

01 jan, 2016

por Tatiana Ades

Toda criança na fase entre 5 e 8 anos mais ou menos, fase anterior à puberdade, poderá ter um "amiguinho especial", um namoradinho. O normal nessa fase é que a criança tenha pensamentos especiais em relação ao namoradinho, segure nas mãos, converse com carinho.

A maior questão é não deixar que essa fantasia gostosa se transforme em algo "sexual".

Cada vez mais as crianças têm vontade de se tornarem adultas, de descobrir o sexo antecipadamente, deixando a fase essencial da brincadeira e do amor infantil para trás. Mas esse "avanço sexual" coloca em risco a formação de uma personalidade estruturada e saudável. Vale lembrar que um adulto saudável passou por todas as fases necessárias da vida, sem pulá-las.

Os pais precisam mostrar que compreendem o fato da criança gostar do amiguinho (namoradinho) e não polemizar o assunto. É recomendável agir naturalmente, estabelecendo com a criança os limites considerados saudáveis, ou seja, sem conotação sexual: o normal é dar as mãos, andarem juntos e até dar um selinho inocente: e nada, nada além disso!

No entanto, se a criança não pensa nisso, incentivar esse namorinho pode antecipar um comportamento que ainda não é próprio dessa criança

É importante que os pais respeitem a decisão dos filhos, mas tendo sempre em vista os perigos de uma “adolescência precoce”. É extremamente importante que os pais não incentivem também o uso de batom e maquiagens pesadas.

Em geral esse namorinho pode ser saudável, pois a criança aprende a estabelecer um vínculo de desenvolver um amor ao próximo.

O papel dos orientadores escolares é semelhante ao dos pais: estar sempre de olho nos limites dessa relação. Deve-se avisar aos pais sobre qualquer sinal de um avanço ao normal e saudável.


É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.

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