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Comportamento

Sexo

Psicoterapia do absurdo: oferecer a possibilidade de mudar a orientação sexual

A pessoa nasce heterossexual ou homossexual

01 jan, 2016

por Tatiana Ades

Atualmente ocorre uma guerra repleta de controvérsias sobre a orientação sexual de cada pessoa.

Digo isso porque terapeutas estão chocando a sociedade com terapias de reorientação social, ou seja, oferecendo a absurda "possibilidade" de mudança da orientação homossexual (homossexualidade) para a orientação heterossexual, através de métodos comportamentais e outros.

Nessa briga, as religiões entram com tudo e muitas apoiam as "técnicas" dessa "terapia reparativa".

Muito me admira esses profissionais e figuras públicas religiosas, afirmarem que a pessoa muda de sexo como muda de profissão.

Questiono então:

- Se um heterossexual aparecer num consultório desses ou igreja pedindo para virar gay qual seria a reação?

Advertência superimportante: a pessoa nasce heterossexual ou homossexual. Assim a sua orientação sexual não se trata de uma questão ambiental ou social, mas sim de identidade e sexualidade.

Por que é tão difícil aceitar a minoria?

O preconceito ainda se mantém ativo e vemos jovens gays sendo mortos a sangue frio. Mesmo homens que são amigos, se andam abraçados na rua, tornam-se alvo de chacotas.

O que está por trás dessa raiva? Por que querer modificar a natureza humana?

Na minha opinião, muitas pessoas preconceituosas -- cruéis e narcisistas que enxergam nelas mesmas o modelo ideal -- carregam o ódio por algo ou alguém em que possam descarregar, a amargura e a raiva perante a vida; descartando e desprezando qualquer outra forma de afeto e sexualidade.

Casais gays querem ter seu espaço e merecem poder amar de forma real e protegida.

Ninguém deve praticar a promiscuidade, seja um hetero, seja um gay; devemos respeitar os outros que estão à nossa volta, mas isso é um comportamento que independe da orientação sexual, mas do caráter e conduta ética de cada um.

Eu já vi vários casais héteros com atitudes bem libidinosas em locais públicos. Mas por que esses não são "condenados"? Por que só apontamos o dedo quando o casal é do mesmo sexo?

Amor antes de mais nada significa respeito por nós mesmos e isso significa saber respeitar o outro; aceitar que somos seres com universos diferentes e que os nossos gostos e afetos divergem dos de outras pessoas.

Ao aceitar a diversidade e entender o universo alheio, poderemos ter uma vida mais calma e um estado emocional mais maduro.

Aceitar as diferenças é sinal de ser uma pessoa bem resolvida e feliz consigo mesma.Difícil tarefa que todos deveriam aprender a praticar.

Ao mundo GLBT e seus amores, deixo meus votos de respeito e amor por sua coragem e luta!


É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.

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