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Autoconhecimento

Minhas Atitudes

Como lidar com pessoas que 'se acham'?

Orgulho está diretamente relacionado com a falta de amor-próprio

01 jan, 2016

Por Rosemeire Zago

Resposta: Vamos entender um pouco porque essas pessoas agem assim. Essa pessoas que "se acham" como você colocou, creio que você está se referindo a pessoas arrogantes, orgulhosas, que se refere a soberba dos 7 Pecados Capitais.

O termo orgulho, conceito exagerado de si próprio, com aparente amor-próprio demasiado, constantemente despreza tudo e todos, sempre julgando com suas severas críticas. A pessoa orgulhosa por não suportar a dependência, menospreza os sentimentos das pessoas, se colocando sempre como um "ser superior", como se estivesse num pedestal difícil de ser alcançado. Precisa fazer com que o outro se sinta diminuído para que ela se sinta superior. São pessoas mais preocupadas em ter do que em ser, e que não possuem autoconhecimento algum.

O conceito exagerado de si próprio, o amor-próprio demasiado, a necessidade de poder, são apenas máscaras que buscam compensar a falta de amor que sentem por si mesmas, pois possuem em geral uma necessidade de auto-afirmação. O orgulho está diretamente relacionado com a falta de amor-próprio, com a ambição pelo poder e com a aquisição de bens materiais, pode ser uma forma de compensar a sensação de vazio.

Esse impulso para o poder, essa necessidade de querer ter mais, pode ainda ser conseqüência do sentimento de inferioridade, e da sensação de desamparo, fragilidade e impotência, presentes em muitos de nós. Porém, esses sentimentos são mais intensos naqueles que, nos primeiros anos de vida, não encontraram junto aos adultos com quem conviveram o conforto, o acolhimento, e o amor que amenizassem esse desamparo.

No campo profissional aparece com a sensação de que "eu sou melhor que os outros" por algum motivo. Isto leva a ter uma imagem de si inflada, aumentada, nem sempre correspondendo a realidade. Surge com isso a necessidade de aparecer, de ser visto, passando inclusive por cima de padrões éticos e procurando colocar os outros colaboradores ou colegas minimizados, desprezando suas idéias e seu trabalho.

Geralmente pessoas com essas características ocupam cargos elevados e utilizam seu poder para impor suas vontades, manipulando as pessoas ao seu redor com o intuito de conseguirem que tudo seja feito conforme seus desejos. Exigem ainda uma disciplina perfeccionista, não respeitando os limites de cada um.

É mais fácil lidar com pessoas com essas características depois de analisar e entender os motivos e possíveis origens por elas agirem desse modo. Entendido isso, você pode ignorar a maneira de ser dessa pessoa, e não se sentir inferior em hipótese alguma por isso. Procure tratá-lo como um ser humano igual a você, sem supervalorizar aquilo que ele mais busca, que é ter mais e mais poder seja sobre quem for, para poder manipular a todos, para quem sabe, esconder suas fraquezas.

Tenha consciência que essa forma de ser é apenas uma máscara que funciona como proteção para impressionar e se fazer respeitado ou temido, quando na verdade a pessoa no fundo se sente muito distante em ser isso tudo. Não se deixe impressionar, ignore, apenas isso, e deixe que ela encontre seu caminho e um dia perceba que o que ela precisa desenvolver, não é mais orgulho e ser mais que ninguém, mas sim a humildade em ser quem ela é simplesmente.

Como lidar com a sinceridade perversa das pessoas realmente francas?

Resposta: A autenticidade como alguns chamam o excesso de sinceridade ou como você muito bem escreveu, a sinceridade perversa, onde a pessoa fala tudo aquilo que sente, sem ao menos pensar no conteúdo do que fala e em como a pessoa que está ouvindo irá se sentir com tanta autenticidade, acaba geralmente por machucar muito quem ouve tal franqueza.

São pessoas que pecam por sua falta de sensibilidade, empatia e exageram em sua impulsividade, sempre falando sem pensar, ou falando o que pensam, mas sem considerar os sentimentos do outro.

Para lidar com esse tipo de característica pessoal, creio que se você pode considerar o que ouviu como um alerta para observar-se mais, ainda que isso possa doer, e ver se faz sentido para você, ou ainda falar diretamente com a pessoa, explicando que não gosta de seu jeito de falar. Mas creio que o diferencial não é tanto o conteúdo do que se fala, mas o tom de voz em que se fala. É muito diferente alguém dizer: "Como seu cabelo ficou horrível", com um tom crítico e devastador, e uma pessoa dizer: "Você mudou seu cabelo, você gostou, foi você quem quis assim?", com um tom amistoso e compreensivo.

As pessoas têm o péssimo hábito de julgar e dar opinião mesmo quando não solicitada. Por vezes queremos apenas contar algo e antes mesmo de acabarmos de falar, já estamos ouvindo julgamentos e opiniões que nada tem haver com aquilo que estamos precisando naquele momento. Se isso acontece com muita freqüência e te incomoda muito, e você já conversou com a pessoa e ela não mudou, ou ainda, você não quer mais ouvir tais comentários, só lhe resta se afastar.


Psicóloga com abordagem junguiana com especialização em psicossomática. Desenvolve uma abordagem voltada para o autoconhecimento e criança interior.

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