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Será que estou preparada para deixar a vida de solteira?

Arlete Gavranic 01/01/2016 COMPORTAMENTO
Quem viveu muito tempo sozinha pode ter dificuldades

por Arlete Gavranic

A vida de solteira permite às mulheres uma enorme gama de opções para estruturar sua vida pessoal e profissional. Embora as mulheres ainda ganhem em algumas funções no mundo corporativo até 20% a menos que colegas homens que ocupem função semelhante, a mulher adquiriu autonomia financeira que permite a satisfação de inúmeras metas de vida.

Metas como poder fazer outra faculdade, cursos de idiomas, pós-graduação; atividades de lazer, cuidar do corpo e realizar seus sonhos de consumo.

Mas apesar de tantas possibilidades prazerosas e desafiadoras, o desejo de encontrar alguém especial para viver uma relação, continua sendo para muitas mulheres (quase todas!) um objetivo de vida.

A busca de ter alguém especial para realizar o desejo da maternidade e de construir uma família faz muitas mulheres suspirarem.

É claro que esses desejos são deliciosos de serem sonhados e vividos, mas nenhuma realidade é cor de rosa! E uma dentre as inúmeras variáveis que observo nessa realidade feminina, diz respeito a como as mulheres lidam com o estabelecimento de limites, negociações e prazer em seus relacionamentos.

Anular-se não garante sucesso do relacionamento

Algumas, para nosso espanto, ainda hoje, se colocam numa postura submissa, abandonam suas atividades. Já vi mulheres pararem a academia, outras adiam o início de cursos ou desistem de projetos de viagens ao exterior para estudar ou estagiar; param de se encontrar com amigas e se colocam dependentes das vontades, horários e desejos e interesses da outra parte. A essas mulheres indico a necessidade de rever sua autoestima e autoconfiança, pois essas atitudes refletem insegurança e o medo de não agradar. O que é uma ilusão, pois essa atitude de "anular-se" não garante o sucesso da relação e pode até, em algumas situações, gerar um desconforto ou perda da admiração pela mulher antes independente que havia gerado atração.

Medo de doar-se

Mas existe um grupo de mulheres, algumas solteiras, outras recém-separadas, outras que acumularam ou desenvolveram atitudes que demonstram um receio de doar-se. Um receio, medo, (consciente ou não), às vezes por desilusões anteriormente vividas, que mantêm alguns comportamentos excessivamente autocentrados, egoístas mesmo, que nem sempre dão ao outro a sensação de sentir-se querido ou importante.

São comportamentos que não privilegiam o acordo com o outro em algumas escolhas, por exemplo: decidir o destino das férias - que seriam a dois - sozinha; não levar em consideração datas ou eventos de amigos ou familiares dele para agendar programações de lazer - show, teatro etc. Algumas dessas mulheres negam inclusive o grupo de amizades ou contatos profissionais do outro, privilegiando apenas o seu grupo de amizades; ultrapassam limites que desagradam o outro: bebem a mais, querer sempre ficar além do limite do outro nas madrugadas em festas e baladas.

Respeitar momentos relacionais caso a outra parte tenha filho(a/s) também é fundamental, sabendo respeitar e participar quando convidada.

Atitudes individualistas dão impressão de indiferença

O que se torna espantoso é que por mais que haja o desejo de viver o relacionamento e haja também um gostar especial, essas atitudes muito individualistas dão a impressão de indiferença.

Observo que pessoas que passaram um tempo vivendo ou morando sozinhas, ainda mais se possuir um estilo pessoal mais proativo e independente, torna-se difícil para elas conseguir trazer alguém para morar junto. Eu costumo brincar que para algumas fica tão desconfortável alguém apertar a pasta de dentes de outro jeito ou deixar a pia molhada, ou encontrar uma roupa ou sapato (que não seja seu) fora do lugar, que fica quase impossível morar juntos, precisa ir acostumando aos poucos e ir negociando as manias de cada um.

Se a mulher for muito poderosa (cargos de coordenação e direção em corporações, acabam estimulando atitudes de comando, de dizer como tem que funcionar/fazer acontecer) essa característica comportamental terá que ser observada e transformada no ambiente relacional do casal, para atitudes de maior compartilhamento no que diz respeito às coisas ou momentos do casal.

Quanto ao egocentrismo ou egoísmo de não abrir mão de nada que seja prazeroso na sua rotina, caberá às duas partes perceberem o quanto podem fazer e curtir juntos sem ter que abrir mão do prazer de cada um.

Mas... se essa negociação de tempo, manias... não existir, talvez essa mulher precise pensar se está pronta para viver o "nós", e ninguém está falando em abandonar o "eu" ou ter uma postura submissa, mas sim de estar pronta para respeitar sua individualidade e também investir numa relação de cumplicidade, parceria e crescimento prazeroso a dois!




Arlete Gavranic

Psicóloga, Mestre em Educação; Educadora e Terapeuta sexual pela Sbrash, Coordenadora e docente dos cursos de Pós-graduação lato sensu em Educação sexual e em Terapia sexual do ISEXP/ Sbrash. Docente dos cursos de pós-graduação em Educação sexual e Terapia sexual da UNISAL e coordenadora do pós de Terapia Sexual da UNISAL.



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