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Porções reduzidas servidas em restaurantes deveriam satisfazer; saiba por quê

por Adriana Kachani

Já te aconteceu de alguma vez ir a um restaurante e achar que veio pouca comida no prato? A gente sai com aquela sensação de ter sido “explorado”, de que cobraram bem, mas que a quantidade não era condizente com o preço.

Vamos levar em consideração que a maioria dos restaurantes oferece couvert para diminuir a fome enquanto esperamos o prato chegar. Digamos que você é daqueles que não consegue controlar a gula e devora os pães de queijo, patês e pães que são oferecidos, já preenchendo sua barriga mesmo antes da comida chegar. Se você se identifica com esta situação, até que estar num restaurante que ofereça pratos reduzidos tem a suas vantagens, não é?

Mas... por outro lado, quantas vezes você foi em algum restaurante que o prato (D-E-L-I-C-I-O-S-O) veio farto, e você comeu tanto que até passou mal depois? O que fazer nessas situações se você não consegue se conter? Não seria melhor que nesses casos a porção fosse realmente menor?

Alguns restaurantes têm contratado nutricionistas para orientar o tamanho das porções. Clientes assíduos desses estabelecimentos têm notado a diferença e muitas vezes reclamam da diminuição do tamanho dos pratos. O fato é que uma porção ideal é bem menor do que possamos imaginar.

Tamanhos reduzidos de porções espantam

Meus pacientes sempre saem abalados do consultório quando mostro meus protótipos do tamanho de porções. As porções que mais chocam são as de carne, salmão, macarrão e arroz. Ninguém imagina que o suficiente para se alimentar – e nutrir adequadamente - seja tão pouco. Costumo dizer que as pessoas sofrem de distorção de tamanho de porções, fato inclusive já comprovado cientificamente por vários pesquisadores da área de comportamento alimentar. Hoje peço até para que fotografem seus pratos a fim de que me mostrem o tamanho de suas referidas “pequenas porções”.

Assim, levando em consideração que a maioria dos restaurantes ainda possui porções duas e às vezes três vezes maiores do que as ideais, sugiro sempre que se divida o prato com um amigo (a). Isso lhe dá o direito de consumir o couvert e quem sabe até dividir uma sobremesa também.

Caso ninguém queira dividir com você, o que fazer? Deixe metade no prato. Sei que é uma pena pagar caro e desprezar comida enquanto muitos passam fome por aí. Mas temos que pensar no custo/benefício: vale a pena comer até o fim para não desperdiçar e correr o risco de ficar com sobrepeso, colesterol elevado, triglicérides aumentado, ou ainda passar mal por ter comido muito? E o dinheiro que vai se gastar com todos os tratamentos que você possa vir a ter?

Algumas pessoas solucionam o problema pedindo para que se embrulhe e leve para casa. Acho uma boa saída quando a comida é saudável. Mas se tratando de uma pizza, por exemplo, vale a pena deixar de comer no restaurante para no dia seguinte esquentá-la no microondas e continuar nesta orgia alimentar? Talvez a melhor opção seja pedir para que seja embrulhada a fim de que seja doada para alguém que não tenha o que comer.

Lembro de quando eu era jovem e ia ao cinema. As porções de pipoca eram similares àquelas dos pipoqueiros que encontramos em parques e porta de escolas, ou seja, 1/5 do que vemos hoje. Os copos de refrigerantes triplicaram de tamanho e nem vamos falar das porções de batatas fritas em restaurantes fast food , que cresceram muito também. Esse aumento de porções no dia-a-dia fez com que perdêssemos a referência dos tamanhos ideais e distorcêssemos nossa noção de quantidade. Quando sugiro a um paciente que consuma somente o equivalente a um copo de pipoca no cinema (daqueles brancos, de plástico), ele fica chocado. Precisamos rever nossas porções. Porque o segredo da boa forma não é restringir o que a vida nos dá de melhor. O segredo é o bom senso, não exagerar. Comer de tudo um pouco pode ser a solução para nossos quilos a mais.


Ângelo Medina é editor-chefe do portal Vya Estelar. É jornalista e ghost writer. Com 30 anos de experiência, iniciou sua carreira na cobertura das eleições à Prefeitura de São Paulo em 1988 (Jornal da Cultura). Trabalhou no Caderno 2 - O Estado de São Paulo, Revista Quatro Rodas (Abril). Colaborou em diversas publicações e foi assessor de imprensa no setor público e privado. Concebeu o site Vya Estelar em 1999. É formado em Comunicação Social pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora.

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