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Comportamento

Relacionamentos

Saúde emocional depende de vivenciar todos seus sentimentos

por Antônio Carlos Amador

Você exprime seus sentimentos e ressentimentos no momento em que as coisas acontecem ou vai guardando-os para de repente descarregá-los?

Muitas vezes escondemos dos outros certas coisas que sentimos, pensamos e fantasiamos. Sabemos de tudo o que se passa dentro de nós: imagens que cruzam rapidamente nossas mentes, calafrios no estômago, respostas preparadas para alguém com quem estamos conversando, vontade de chorar. Mas sempre damos um jeito de esconder dos outros esses nossos sentimentos. Mesmo sabendo o que se passa dentro de nós, ainda assim disfarçamos.

Todos nós sentimos algum tipo de medo, de alegria, de tristeza, de frustração, de ódio, de gratidão e de satisfação na vida. O modo como lidamos com essas emoções depende, por um lado, do condicionamento cultural e, por outro, da vontade de valorizá-las e de assumir a responsabilidade por elas. Quando tentamos reprimir as emoções negativas e expressar apenas as positivas descobrimos que não podemos sufocar apenas alguns sentimentos sem deixar de fazer isso com os outros. Nossa saúde emocional depende de conseguirmos vivenciar todos os sentimentos. Isso significa reconhecer as emoções e levá-las em consideração ao fazermos escolhas e tomarmos decisões.

A saúde emocional não significa sentir apenas emoções positivas, mas sim não ter medo de experimentar toda uma gama de emoções e sermos capazes de agir sobre elas adequadamente, sem nos sentirmos dominados. Isso implica também uma capacidade para a intimidade profunda e para os relacionamentos pessoais satisfatórios.

A intimidade se compõe dos momentos de contato aberto com outra pessoa e traz uma nova dimensão à vida. Significa dar e receber sem exploração.

Quando assumimos a responsabilidade por nossa saúde emocional estamos dispostos a sentir profundamente, mesmo que tenhamos medo de fazê-lo. Pode ser mais fácil reconhecer nossos sentimentos quando nos sentimos amados e protegidos por outra pessoa. Um relacionamento terapêutico pode proporcionar um ambiente seguro e capaz de curar, em que uma pessoa que esteja passando por dificuldades emocionais pode experimentar de novo sentimentos dolorosos que foram reprimidos no passado e aprender a exprimir sentimentos reais no presente.

Quando uma capacidade natural para o livre intercâmbio de sentimentos é redescoberta, nossa saúde emocional pode ser restabelecida. Ela se caracteriza também pela capacidade de dar e de receber amor, de sabermos perdoar a nós mesmos e aos outros, de confiarmos e de afirmarmos não só a intimidade como também nossa autonomia nos relacionamentos.

Precisamos aprender a reconhecer e a distinguir os sentimentos e a comunicá-los quando vierem à luz, exprimindo-os inteiramente quando se referirem a uma pessoa com a qual tenhamos um relacionamento íntimo.

Para superar sentimentos negativos podemos também ativar nossa capacidade de criar fantasias. Podemos, por exemplo, imaginar o que gostaríamos de ter ouvido, fantasiando com exagero a reação que esperamos da outra pessoa. Esse exagero pode ajudar a dar uma nova perspectiva ao problema.
 

 

 

 


É psicólogo e psicoterapeuta de adolescentes e adultos. Professor no Departamento de Psicologia do Desenvolvimento da PUC-SP desde 1974, onde ministra disciplinas relacionadas ao desenvolvimento de adolescentes, ao desenvolvimento interpessoal, à psicologia comunitária e da saúde. Atua em consultório particular como psicoterapeuta e hipnoterapeuta, atendendo a adolescentes e adultos.

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