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Comportamento

Amor

O que é mais saudável: se expor ou ser introspectivo?

01 jan, 2016

por Tatiana Ades

A sociedade atual vive um momento de exposição onde o self (eu) necessita se autoafirmar cada vez mais através de blogs, redes sociais, mostrando a cara, a mente e até os segredos mais íntimos.

Antigamente, esses segredos escritos à luz de velas, rabiscados em cadernos, representavam o desabafo do self no sentido introspectivo do ser humano; estar sozinho consigo mesmo era sinal de conforto e paz, talvez alívio.

Hoje vivenciamos um reality show, onde rostos precisam se mostrar e as ideias não se contentam mais só com a introspecção.

Muitos julgam essa sociedade robótica, psicopática, fria e fútil. Mas, se pensarmos no ponto de vista que em toda sociedade, mesmo caótica, existam transformações essenciais, poderemos encontrar certamente pontos positivos, como por exemplo, a democratização da comunicação com alcance rápido e agrupar pessoas com mesmos ideais.

Não vemos mais grupos nas ruas reenvindicando seus direitos, mas não podemos nos esquecer que esses jovens estão numa globalização viral e dentro desse contexto podem expor ideias e revolucionar o mundo. A forma de fazer é diferenciada, mas a voz que outrora berrava nas ruas, hoje escreve blogs sobre ideais e ideias para centenas de pessoas.

Assim surgem novos heróis de uma sociedade bastante bipolar (ora eufórica, ora depressiva), onde o exército de um homem só, participa do jogo de mostrar ao mundo quem é, o que pensa, como pensa e por que pensa dessa forma.

O antigo homem, que segurava a vela e vivia na introspecção, certamente levaria um grande susto ao poder enxergar blogs de desabafos e críticas sociais, comunidades digitais onde pessoas expõem uma questão em comum e debatem-na; rostos sorridentes no youtube dizendo o que pensam... somando números de visitações.

Mas quem está correto?

O homem extrovertido de hoje e um tanto narcisista ou o homem introspectivo de antes?

Acho que falta equilíbrio entre essas duas formas de subjetividade. Nós precisamos de mais contato ocular, de mais interação real e não apenas virtual e de menos exibicionismo.

Mas por outro lado, não precisamos nos fechar em cartas que apenas revelam para nós mesmos o que queremos ser e dizer, pois a voz precisa ser gritada para que o ser humano encontre dentro de sua própria subjetividade uma forma de desabafo.

Dessa forma, não podemos cobrar das novas gerações atitudes que contradigam a sociedade atual, mas é preciso que essa forma de se expor para o mundo seja feita com responsabilidade e ética.

 

 


É psicanalista e escritora e teatróloga. Em seus livros, o foco de estudo é o comportamento humano e o amor patológico. Tem em seu currículo várias peças escritas e encenadas nos teatros de São Paulo, além de ter concorrido ao prêmio Shell de melhor texto teatral com Os Viúvos – Teatro Ruth Escobar (2003). Como escritora, em 1998, ganhou um concurso com o conto O silêncio da raposa. Eles são o resultado de uma pesquisa de três anos: Hades – Homens que amam demais e As escravas de Eros.

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